17 de Dezembro de 2007 / às 22:22 / 10 anos atrás

Comandante alerta contra retirada apressada dos EUA do Iraque

Por Kristin Roberts

WASHINGTON (Reuters) - O general Joseph Fil, que está deixando o cargo de comandante das forças dos EUA em Bagdá, alertou na segunda-feira contra uma retirada apressada, alegando que as forças iraquianas não estão preparadas para assumir responsabilidades.

Fil se disse confortável com o atual plano, que prevê a retirada de 20 mil tropas de combate --um oitavo do total atual-- da zona de guerra até meados de 2008.

Mas qualquer aceleração da retirada, como propõem alguns parlamentares dos EUA, coloca em risco os ganhos obtidos na segurança, disse Fil a jornalistas por teleconferência, de Bagdá.

“Está claro que retirar rapidamente demais, antes que os iraquianos possam realmente assumir essas áreas independentemente, seria muito arriscado, e há algumas áreas na cidade onde esse ponto fracassaria”, disse Fil. “Eles simplesmente não estão prontos para ficarem de pé inteiramente por conta própria.”

Fil, cuja divisão volta neste mês ao Texas, disse que os ataques caíram 80 por cento em Bagdá desde novembro de 2006 --sendo uma redução de 90 por cento nos homicídios e 70 por cento nos carros-bomba.

A melhora, segundo ele, está diretamente ligada ao envio de 30 mil soldados adicionais neste ano.

Apesar disso, ainda há ataques. No sábado, por exemplo, duas bombas em calçadas feriram dois civis e dois policiais.

As pesquisas mostram que a maioria dos norte-americanos gostaria que a desocupação fosse mais rápida. Esse deve ser um dos grandes temas na campanha eleitoral para a Presidência em 2008.

Além dos 20 mil soldados a serem retirados até meados de 2008, o secretário de Defesa, Robert Gates, já anunciou que tem esperanças de que outros 20 mil sejam retirados até janeiro de 2009.

Os democratas têm uma proposta para retirar a maior parte dos 160 mil soldados até dezembro de 2008.

Fil disse que a Al Qaeda e milícias xiitas não controlam mais nenhuma área na capital iraquiana, mas ainda planejam e conduzem operações em alguns bairros.

“Não há lugar onde a Al Qaeda possa andar livremente, nenhum bairro, nem mesmo uma rua sequer. Mas direi que há muitas partes da cidade onde eles espreitam às sombras, onde trabalham discretamente, secretamente, e acho que determinadamente para retomar o poder e ainda continuam seus ataques.”

Segundo o general, entre os bairros em que há presença da Al Qaeda estão Mansour (zona oeste) e Rashid (zona sul).

Reportagem adicional de Susan Cornwell

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