Congresso equatoriano marca referendo sobre nova Constituição

sexta-feira, 25 de julho de 2008 12:06 BRT
 

Por Alexandra Valencia

MONTECRISTI, Equador (Reuters) - Os aliados do presidente equatoriano, Rafael Correa, propuseram no final da quinta-feira uma nova Constituição que, se aprovada em referendo a ser realizado em setembro, aumentará os poderes presidenciais.

O Congresso do país, em uma votação marcada por muitos aplausos, sancionou um projeto de Carta Magna que aumenta o limite de vezes que um presidente pode ser eleito e amplia a influência do detentor do cargo sobre a economia, o Poder Legislativo e o Judiciário. O texto era debatido havia oito meses no órgão dominado pelos governistas.

Correa, um economista que tomou posse no ano passado prometendo combater as elites política e empresarial do país, precisa de uma nova Constituição para proteger-se do tipo de ofensiva judicial e parlamentar que derrubou vários de seus antecessores.

A oposição, atualmente dividida, acusa-o de ser um autocrata que capturou as redes de TV, desapropriou empresas e fechou o Congresso. Os adversários acusam-no de tentar aumentar seus poderes de forma semelhante ao aliado dele da Venezuela, presidente Hugo Chávez.

Correa é de longe a figura política mais popular desse país exportador de petróleo, e pesquisas indicam que o dirigente conta com boas chances de vencer o referendo. Mas terá de fazer uma campanha intensa para angariar votos antes de ter a certeza da vitória.

"Nós vamos vencê-los no dia 28 de setembro. Não vamos deixar que um bando de mafiosos nos domine para sempre", disse o presidente antes de o Congresso de 130 membros aprovar o projeto.

Se a nova Constituição for de fato adotada, Correa será capaz de ser reeleito de forma a continuar no poder até 2017.

Nos dez anos que antecederam a subida dele ao poder, todos os presidentes eleitos no Equador viram-se forçados a deixar o cargo antes do final de seu mandato devido a pressões vindas de manifestações populares, do Congresso e do Judiciário.

Correa refaz os passos de outros líderes esquerdistas da América Latina --Chávez, na Venezuela, e Evo Morales, presidente da Bolívia--, que fortaleceram seus governos com novas Constituições e que apelaram aos milhões de pessoas desencantados com os vários anos de governo das elites tradicionais.

O líder equatoriano argumenta que a nova Constituição ajudará seu governo a eliminar a influência da elite corrupta sobre as instituições políticas e a redistribuir a riqueza com a maioria pobre do país.