Espanha tenta "acalmar" situação com a Venezuela

segunda-feira, 12 de novembro de 2007 21:13 BRST
 

Por Teresa Larraz

MADRI (Reuters) - O governo espanhol tenta "acalmar" as relações com a Venezuela depois do incidente do fim de semana, na 17a Cúpula Ibero-Americana, entre o rei Juan Carlos e o presidente Hugo Chávez, disse a secretária espanhola para a Ibero-América, Trinidad Jiménez.

Durante a sessão de encerramento da cúpula de Santiago, o rei, habitualmente sereno, se irritou com ofensas de Chávez contra o ex-primeiro-ministro espanhol José María Aznar e mandou que o venezuelano se calasse quando interrompeu um discurso do atual premiê da Espanha, José Luís Rodríguez Zapatero.

"Um governo responsável, diante de um incidente dessas características, deve em primeiro lugar esgotar as vias para aplacar o incidente, evitar os riscos e efeitos negativos que possa ter, tanto no plano bilateral quanto no multilateral", disse Jiménez à rádio Cadena SER.

"Dentro do respeito que evidentemente exigimos à mais alta representação do Estado, que é o rei da Espanha, e a qualquer dirigente político, como o ex-presidente (de governo) Aznar, achamos que é importante tentar acalmar a situação, reconduzir a relação e evitar a escaldada de desqualificações e ataques", acrescentou a ministra.

Chávez chamou Aznar repetidamente de "fascista" e o acusou de ter apoiado o golpe de Estado que o venezuelano sofreu em 2002.

Ao ouvir isso, Zapatero interveio e pediu respeito a Aznar, seu adversário. Mas Chávez replicava e o interrompia, o que irritou o monarca.

"Por que não você não se cala?", disse Juan Carlos, que deixou o plenário quando mais tarde o presidente nicaraguense, Daniel Ortega, insistiu nas críticas a Aznar.

No domingo, Chávez voltou ao tema, questionando se o próprio Juan Carlos sabia dos planos golpistas de 2002.

O secretário-geral do Partido Popular (de Aznar), Angel Acebes, pediu na segunda-feira que o governo convoque o embaixador venezuelano na Espanha "para formular um enérgico protesto pelos insultos e acusações contra, entre outros espanhóis, sua majestade, o rei".

(Reportagem de Teresa Larraz)