PF pode investigar suposto dossiê se solicitada, diz Tarso Genro

sexta-feira, 4 de abril de 2008 16:18 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Polícia Federal pode investigar o suposto dossiê com informações sobre gastos sigilosos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, disse nessa sexta-feira, o Ministro da Justiça, Tarso Genro.

"Se alguma autoridade, em algum momento, pedir para investigar e fundamentar esse pedido, obviamente a PF vai investigar, seja a pedido do procurador, da ministra, que está fazendo a investigação, seja a pedido da própria CPI", afirmou Genro, após o lançamento da Caravana da Anistia, na sede da Associação Brasileira de Imprensa, no Rio de Janeiro.

Ele acrescentou que o caso do suposto dossiê é um fato político de um vazamento de informações e por enquanto não há orientação para a PF promover uma investigação.

"O que eu sempre disse é que o aparato de Estado, a PF -- como não somos Estado policial -, não investiga conceitos. E o dossiê é um conceito político. Alguém que fala em dossiê está dizendo 'estão armando alguma ilegalmente contra alguém'. Isso é um conceito. É a mesma coisa que a PF fosse investigar o seguinte" 'investigue bandido, ou investigue ladrão, ou investigue comunista ou fascista'. Isso é conceito, não é fato determinado", disse ele.

Tarso, porém, negou a existência de um dossiê com informações dos gastos sigilosos do governo Fernando Henrique Cardoso.

"O que está sendo investigado na Casa Civil é o vazamento de informações reservadas de outra administração o que é um fato determinado. O dossiê, no entanto, não é um fato determinado, mas um conceito. A PF não investiga conceitos", frisou.

O ministro da Justiça cobrou que o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) divulgue o que sabe sobre o dossiê.

"Quando mencionei que seria importante que ele dissesse de onde é que vem, não quero dizer que ele tem obrigação de dizer. Ele é parlamentar, ele diz se quiser. Agora, se quisermos colaborar com a cadeia de transmissão do documento para chegar na fonte, seria uma contribuição para a CPI e para o Estado brasileiro se o senador dissesse de onde é que veio. Ele não está obrigado a dizer. Ele está abrigado, inclusive, no seu mandato", finalizou. (Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)