Reuters quer informações sobre fotógrafo iraquiano preso

quarta-feira, 3 de setembro de 2008 19:38 BRT
 

BAGDÁ (Reuters) - A Reuters está buscando informações adicionais sobre a detenção de um fotógrafo que colaborava com a agência no Iraque.

Ibrahim Jassam Mohammed, que há cerca de dois anos fornece fotos e vídeos à Reuters como free-lance, foi preso no amanhecer de terça-feira por forças norte-americanas e iraquianas em sua casa, na localidade de Mahmudiya, segundo sua família.

Eman, irmã dele, contou que os soldados confiscaram seu equipamento. Jassam também trabalha para outros veículos de imprensa no Iraque.

Os militares dos EUA confirmaram a detenção, mas não disseram se há alguma acusação conta o profissional. "Ele foi avaliado como uma ameaça à segurança, e seu caso agora está sendo analisado", disse o contra-almirante Patrick Driscoll à Reuters.

Mahmudiya, cerca de 30 quilômetros ao sul de Bagdá, já foi uma das áreas mais violentas do Iraque, mas a situação melhorou muito nos últimos meses, como em quase todo o país.

"Ficamos preocupados ao saber da detenção de Jassam, e pedimos aos militares que o acusem ou o libertem assim que um estágio investigatório inicial for concluído", disse o editor-chefe da Reuters, David Schlesinger.

"Quaisquer acusações contra um jornalista devem ser divulgadas publicamente e tratadas de forma justa e rápida e o jornalista deve ter direito a aconselhamento e a apresentar uma defesa. Jornalistas iraquianos, como Jassam, desempenham um papel vital em contar esta história ao mundo", disse Schlesinger.

A Reuters e grupos internacionais de defesa da imprensa criticaram anteriormente a recusa dos militares em lidar mais rapidamente com suspeitas aparentemente despertadas por atividades legítimas dos jornalistas que cobrem atos de violência.

O Observatório das Liberdades Jornalísticas, uma ONG local, pediu aos militares que revelem o local de detenção de Jassam e expliquem sua prisão.

Em agosto, os militares dos EUA libertaram um cinegrafista da Reuters que passara três semanas detido sem acusação. Foi a terceira vez que Ali Al Mashhadani, também colaborador da BBC e da Rádio Pública Nacional dos EUA, foi detido.