Evo Morales lidera passeata em meio a tensões na Bolívia

segunda-feira, 26 de novembro de 2007 16:24 BRST
 

Por Carlos Alberto Quiroga

LA PAZ (Reuters) - Como em seus tempos de ativista, o presidente da Bolívia, Evo Morales, comandou na segunda-feira uma passeata sindical em que fez duros ataques à oposição de direita, depois do agitado fim de semana no país, em que manifestações políticas deixaram pelo menos três mortos.

O governo de Morales, que passa por um de seus piores momentos em quase dois anos de mandato, estuda medidas de emergência para devolver a ordem à cidade de Sucre, no sul do país, em que os protestos em torno da Constituinte deixaram centenas de feridos.

Embora não houvesse novos registros de violência na segunda-feira, Sucre vivia seu segundo dia de vácuo policial. A cidade de estilo colonial ficou sem autoridades visíveis, e centenas de criminosos comuns circulavam livremente depois de terem fugido da prisão local no domingo.

Enquanto eram preparados os enterros dos dois civis e um policial que morreram no fim-de-semana, o ministro de Governo, Alfredo Rada, disse que estava estudando um plano de emergência para restabelecer a calma na chamada "cidade branca" de quase 200 mil habitantes, que fica 700 km ao sul de La Paz.

Morales, por sua vez, encabeçou uma passeata de sindicalistas e idosos que foi o ato final de um movimento iniciado há dez dias e que percorreu 200 km pedindo a chamada renda universal.

"É uma alegria ver os irmãos aimaras e quechuas nesta grande passeata", disse Morales.

O líder dos cocaleiros, que assumiu a Presidência em janeiro de 2006 com grande apoio popular, tropeçou na forte oposição a seus planos de nacionalização da economia e de "refundação" do país com uma nova Constituição.

"Este é um governo para toda a Bolívia ... Temos a obrigação de apoiar todos os setores mais abandonados historicamente, porque se não houver certa igualdade certamente nunca vamos conseguir resolver os problemas sociais deste país", afirmou ele, ao defender um projeto de renda universal.

Morales defendeu de forma energética no domingo a nova Constituição, aprovada no dia anterior pela Assembléia, apesar da maioria da oposição não ter participado.

Grupos também protestaram na região pela Carta aprovada não trazer a exigência de transformar Sucre em "capital plena", ou sede de todo o governo nacional.

 
<p>Como em seus tempos de ativista, o presidente da Bol&iacute;via (esquerda), Evo Morales, comandou na segunda-feira uma passeata sindical em que fez duros ataques &agrave; oposi&ccedil;&atilde;o de direita. Foto em La Paz, 26 de novembro. Photo by Jose Luis Quintana</p>