Base aliada de Putin dominará Parlamento russo com folga

terça-feira, 4 de dezembro de 2007 11:49 BRST
 

Por Christian Lowe

MOSCOU (Reuters) - Os aliados do presidente da Rússia, Vladimir Putin, terão o controle total do Parlamento, mostraram os resultados da eleição de domingo, responsável por dar ao líder russo uma sólida base de apoio antes de ele deixar o Kremlin.

O governo respondeu às críticas de organismos internacionais que acusaram a votação, vencida com facilidade pelo partido Rússia Unida (de Putin), de ter sido supostamente injusta. Segundo a liderança russa, as críticas não passavam de "slogans" sem comprovação factual.

O presidente da comissão eleitoral do país, Vladimir Churov, afirmou que, das 450 cadeiras do Parlamento, 315 ficaram com a legenda Rússia Unida, ao passo que dois partidos próximos do Kremlin terão, juntos, outras 78 cadeiras.

Putin, 55 anos, afirmou que espera continuar influindo no governo depois de sair do cargo de presidente, no próximo ano. A Constituição russa determina que ninguém poderá ocupar o cargo consecutivamente por mais de dois mandatos.

Analistas afirmam que o controle sobre o Parlamento lhe dará meios para exercer influência sem as amarras dos poderes presidenciais. Especula-se que o dirigente venha a ser eleito presidente do órgão legislativo.

O bloco pró-Putin no Parlamento a tomar posse dentro em breve será grande o suficiente para aprovar reformas constitucionais -- algo que, segundo analistas, Putin pode tentar fazer a fim de talhar, para si mesmo, um cargo com amplos poderes e o qual ocuparia após deixar o posto de presidente, no começo de 2008.

Putin participou da eleição liderando a lista de candidatos do partido Rússia Unida. O resultado confirmou a popularidade dele, alimentada pelo robusto crescimento econômico do país e por seus esforços para retomar o orgulho nacional da Rússia.

No Parlamento a ser substituído, o Rússia Unida possuía 297 cadeiras.

Churov afirmou a repórteres que o partido nacionalista LDPR conquistou 38 cadeiras e que o Rússia Justa, outras 38 no novo Parlamento. Putin pode contar com o apoio dessas duas legendas. Os comunistas, da oposição, ficaram com 57 cadeiras.