Protestos dividem Bolívia ao meio; país decreta luto oficial

sexta-feira, 12 de setembro de 2008 13:39 BRT
 

Por Eduardo Garcia

SANTA CRUZ, Bolívia (Reuters) - A Bolívia foi dividida ao meio por protestos e bloqueios de estrada na sexta-feira, um dia depois de oito pessoas terem morrido em choques entre adversários e simpatizantes do presidente do país, o esquerdista Evo Morales.

O presidente e o governador de Tarija, que abriga a maior parte das imensas reservas de gás natural do país, acertaram reunir-se na sexta-feira para negociar o fim de quatro dias de confrontação que ainda deixaram dezenas de pessoas feridas.

No entanto, três outros governadores contrários às reformas de cunho socialista defendidas por Morales negaram-se a conversar e culparam o presidente pela onda de violência e pela situação caótica instalada no setor boliviano de gás natural, a maior fonte de receitas do país.

A Bolívia, a nação mais pobre da América do Sul, e os EUA expulsaram os embaixadores um do outro na quinta-feira depois de Morales ter acusado o governo norte-americano de dar apoio aos movimentos da oposição.

Os governadores direitistas do leste boliviano rebelaram-se contra o popular presidente, exigindo autonomia e rejeitando os planos dele sobre reformar a Constituição e distribuir terra para os pobres.

O vice-presidente do país, Alvaro Garcia, declarou um período de luto nacional de 24 horas pelas oito mortes ocorridas no Departamento de Pando. A maior parte dos mortos eram agricultores pró-Morales que, segundo o governo, foram assassinados por pessoas ligadas a políticos da oposição.

"Exigimos que esses golpistas mudem de atitude, que obedeçam à lei e que obedeçam à democracia", disse Garcia na noite de quinta-feira.

Segundo o vice-presidente, o governo garantiria a distribuição de energia e comida para todos os bolivianos apesar dos bloqueios nas estradas que estão dificultando o transporte de mercadorias na parte leste do país.   Continuação...

 
<p>Guarda da prefeitura de Santa Cruz em frente a picha&ccedil;&atilde;o que diz 'Evo assassino'. Photo by David Mercado</p>