September 12, 2008 / 4:03 PM / 9 years ago

Protestos dividem Bolívia ao meio; país decreta luto oficial

5 Min, DE LEITURA

<p>Guarda da prefeitura de Santa Cruz em frente a picha&ccedil;&atilde;o que diz 'Evo assassino'. Photo by David Mercado</p>

Por Eduardo Garcia

SANTA CRUZ, Bolívia (Reuters) - A Bolívia foi dividida ao meio por protestos e bloqueios de estrada na sexta-feira, um dia depois de oito pessoas terem morrido em choques entre adversários e simpatizantes do presidente do país, o esquerdista Evo Morales.

O presidente e o governador de Tarija, que abriga a maior parte das imensas reservas de gás natural do país, acertaram reunir-se na sexta-feira para negociar o fim de quatro dias de confrontação que ainda deixaram dezenas de pessoas feridas.

No entanto, três outros governadores contrários às reformas de cunho socialista defendidas por Morales negaram-se a conversar e culparam o presidente pela onda de violência e pela situação caótica instalada no setor boliviano de gás natural, a maior fonte de receitas do país.

A Bolívia, a nação mais pobre da América do Sul, e os EUA expulsaram os embaixadores um do outro na quinta-feira depois de Morales ter acusado o governo norte-americano de dar apoio aos movimentos da oposição.

Os governadores direitistas do leste boliviano rebelaram-se contra o popular presidente, exigindo autonomia e rejeitando os planos dele sobre reformar a Constituição e distribuir terra para os pobres.

O vice-presidente do país, Alvaro Garcia, declarou um período de luto nacional de 24 horas pelas oito mortes ocorridas no Departamento de Pando. A maior parte dos mortos eram agricultores pró-Morales que, segundo o governo, foram assassinados por pessoas ligadas a políticos da oposição.

"Exigimos que esses golpistas mudem de atitude, que obedeçam à lei e que obedeçam à democracia", disse Garcia na noite de quinta-feira.

<p>Protestos dividem Bol&iacute;via ao meio; pa&iacute;s decreta luto oficial. O presidente Evo Morales em desfile militar em Cochabamba. A Bol&iacute;via foi dividida ao meio por protestos e bloqueios de estrada, um dia depois de oito pessoas terem morrido em choques entre advers&aacute;rios e simpatizantes de Morales. 12 de setembro. Photo by David Mercado</p>

Segundo o vice-presidente, o governo garantiria a distribuição de energia e comida para todos os bolivianos apesar dos bloqueios nas estradas que estão dificultando o transporte de mercadorias na parte leste do país.

Países vizinhos da Bolívia manifestaram preocupação com a possibilidade de os grupos oposicionistas tentarem depor Morales, que sobreviveu a um referendo de confirmação de mandato realizado em agosto, obtendo então o apoio de 67 por cento dos eleitores.

O dirigente é o primeiro de origem indígena a comandar o país e prometeu realizar uma transformação socialista. A oposição mais acirrada vem da parte mais rica do país (leste), controlada pelas elites descendentes em sua maioria dos europeus.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que faria qualquer coisa para defender Morales, incluindo recorrer à força. Em um gesto de apoio à Bolívia, o líder venezuelano expulsou o embaixador norte-americano de Caracas, gesto que foi seguido por Washington.

A Argentina e o Brasil disseram que não tolerarão qualquer tentativa de golpe contra o governo boliviano e ofereceram mediar as eventuais negociações entre os dois lados em conflito.

Jornais bolivianos, no entanto, informaram na sexta-feira que Morales havia pedido aos países vizinhos para não enviarem ainda delegações ao país. O presidente deseja tentar resolver a situação internamente.

Não obstante o governo ter mobilizado soldados para proteger os gasodutos e as estações de bombeamento, policiais e militares deixaram as ruas de Santa Cruz, foco da oposição a Morales, depois de terem sido atacados por manifestantes.

Atos de sabotagem feitos contra válvulas e gasodutos obrigaram a Bolívia a suspender temporariamente o envio de gás para o Brasil, na quinta-feira. As exportações para a Argentina continuavam paralisadas na sexta-feira.

Os grupos de oposição invadiram os prédios do governo na cidade de Santa Cruz, maior cidade do leste boliviano.

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