Morales encerra marcha histórica na Bolívia

segunda-feira, 20 de outubro de 2008 19:56 BRST
 

Por David Mercado

LA PAZ, 20 de outubro (Reuters) - O presidente da Bolívia, Evo Morales, encabeçou na segunda-feira a maior marcha de que se tem registro na Bolívia, episódio final da longa luta pela convocação de um referendo para aprovar a nova Constituição de linha indígena e socialista.

Minutos antes da chegada do presidente à praça onde ficam os palácios do governo e do Congresso foi anunciado um acordo entre governo e oposição para convocar o referendo constitucional em janeiro e eleições gerais antecipadas em dezembro de 2009.

A marcha durou uma semana, num percurso de 200 quilômetros. A última jornada, de 32 quilômetros, terminou por volta de 15h (17h em Brasília). Quando Morales se sentou ao lado de dirigentes sindicais e comunitários, num palanque armado na rua, milhares de pessoas ainda ocupavam 10 quilômetros do trajeto, levando um festivo ambiente para o centro de La Paz. A polícia disse que não houve nenhum incidente.

Morales, que encontrou a marcha de madrugada em uma aldeia do Altiplano, fez uma oferenda à Pachamama (mãe terra) quando passou por La Ceja, confluência entre a combativa cidade aimará de El Alto e La Paz.

"Isso é impressionante, isso não pode ser ignorado por uma minoria", disse Morales, aplaudido por milhares de moradores de El Alto que se juntaram à passeata para os 12 quilômetros finais.

"É sem dúvida a maior marcha da história da Bolívia, os cálculos iniciais de mais de 200.000 pessoas ficaram pequenos nesta jornada", disse a jornalistas o ministro de Governo, Alfredo Rada, enquanto rádios diziam haver até meio milhão de manifestantes, inclusive os que vieram por outras rotas.

Os líderes da manifestação ameaçavam tomar o Congresso se não fosse aprovada a convocação do referendo, perante a qual Morales quer colocar em vigor uma nova Constituição, que dá mais poderes à maioria indígena, amplia a participação do Estado na economia e promove uma reforma agrária.

"Daqui não nos movemos até ter a lei do referendo", disse o minerador Montes, advertindo que, apesar do acordo, os manifestantes estavam preparados para "uma vigília interminável frente ao Congresso, se fosse necessário."   Continuação...