Indústria petroquímica está de olho no gás natural do pré-sal

terça-feira, 16 de setembro de 2008 16:09 BRT
 

Por Denise Luna e Roberto Samora

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A indústria petroquímica poderá ser beneficiada pelos gigantescos volumes de gás natural que poderão ser retirados de áreas na camada pré-sal da bacia de Santos, afirmou o sócio-diretor da Gas Energy, uma consultoria especializada na área de gás natural e petroquímica presente em toda a América Latina.

De acordo com Carlos Alberto Lopes, o aproveitamento da parte líquida do gás, onde se encontram matérias-primas para a indústria petroquímica como etano, propano e butano, não compromete a venda do gás para usos energéticos e agregaria mais valor ao produto. Segundo ele, o etano "é a jóia da coroa para a petroquímica".

"Nada contra a exportação do GNL, mas a indústria química oferece oportunidades de agregação de valor. Não vamos ficar dependentes da exportação de produtos primários", disse Lopes durante a Rio Oil & Gas 2008, onde o debate sobre o pré-sal tem sido o tema dominante.

"Há muita expectativa do que será gerado de matéria-prima petroquímica no pré-sal, o que você vai poder retirar", complementou.

Atualmente, a principal matéria-prima petroquímica é a nafta, cujo preço oscila com o petróleo e cuja demanda tem sido apertada em relação à oferta.

Na segunda-feira, Armando Guedes, ex-presidente da Petrobras e conselheiro do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), polemizou com o diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, ao defender uma utilização mais nobre para o gás da bacia de Santos, que segundo a Gas Energy poderá significar produção de 100 a 120 milhões de metros cúbicos diários, contra os 60 milhões atuais.

De acordo com Lopes, para separar a parte líquida do gás natural seriam necessários investimentos maiores do que se apenas fossem extrair o gás e levá-lo à costa, ou se o gás fosse transformado em Gás Natural Liquefeito (GNL) em pleno alto-mar.

"Tecnicamente existem soluções, se são soluções rentáveis e suportam investimentos é necessário um estudo mais profundo, mas que tem que ser feito", avaliou Lopes.   Continuação...