27 de Novembro de 2007 / às 20:23 / em 10 anos

Regiões controladas pela oposição fazem greve na Bolívia

Por Carlos Alberto Quiroga

LA PAZ (Reuters) - Os seis departamentos (províncias) bolivianos controlados pela oposição convocaram uma greve geral para quarta-feira, em protesto contra o governo de Evo Morales.

A paralisação, qualificada pelo governo de “antidemocrática”, foi confirmada na terça-feira, ainda sob o impacto dos violentos distúrbios que deixaram pelo menos quatro mortos em Sucre (sul), onde funciona a Assembléia Constituinte.

A greve foi convocada por governadores e líderes cívicos de Santa Cruz, Tarija, Cochabamba, Chuquisaca, Beni e Pando. Fontes da oposição disseram que personalidades de Santa Cruz farão greve de fome a partir do dia 3.

Nos três departamentos do oeste (La Paz, Oruro e Potosí), por outro lado, há forte respaldo político da maioria indígena a Morales e à nova Constituição promovida por ele.

“Vamos demonstrar ao governo que não aceitamos sua imposição, que saberemos defender nossos recursos e que não aceitaremos jamais a Constituição aprovada no sábado”, disse a rádios o dirigente oposicionista Branco Marinkovic, de Santa Cruz.

Alex Contreras, porta-voz do governo, disse que a greve “não é senão outra tentativa condenada ao fracasso da oligarquia para frear as mudanças pelas quais o povo luta.”

A oposição a Morales fez da rejeição à Carta uma nova bandeira, depois de passar mais de um ano exigindo mais autonomia para os Departamentos e criticando a criação de uma renda mínima para idosos com base num imposto sobre o petróleo.

A nova Constituição foi aprovada no sábado numa escola militar de Sucre, numa sessão em que os governistas eram maioria, enquanto nas ruas da cidade havia violentos confrontos da polícia contra manifestantes que tentavam impedir a votação.

A violência prosseguiu até segunda-feira e levou a polícia a abandonar Sucre. Bancos e outros negócios fecharam as portas.

Em outro desafio à autoridade de Morales, líderes cívicos de Sucre designaram na segunda-feira à noite um novo governador regional.

Isso aparentemente coloca Sucre em sintonia com os dirigentes de Santa Cruz, que por sua vez apóiam a reivindicação de Sucre de se tornar novamente “capital plena” da Bolívia, substituindo La Paz como sede do Executivo e do Legislativo.

Foi essa reivindicação da “capitalidade” para Sucre que deu início aos confrontos que paralisaram a Constituinte.

Morales disse na segunda-feira que a Assembléia voltará a funcionar em breve. Cada artigo ainda precisa ser votado novamente, e o resultado será submetido a referendo.

“Os que agora rechaçam a nova Constituição são os vende-pátrias que nunca quiseram Assembléia Constituinte”, disse Morales.

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