AGRISHOW-Governo pode recompor estoques para atender emergências

quarta-feira, 30 de abril de 2008 15:17 BRT
 

Por Roberto Samora

RIBEIRÃO PRETO, 30 de abril (Reuters) - O governo brasileiro avalia retomar uma política de formação de estoques públicos de produtos básicos, como arroz, feijão e milho, para atender a situações emergenciais, em meio à alta dos preços dos alimentos, declarou o presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Wagner Rossi.

Nos últimos anos, o governo tem evitado realizar compras diretas de agricultores para a formação de estoques, substituindo essa forma de apoio à comercialização por outros programas, como os que subsidiam o frete de transporte de grãos.

"Há um consenso de que o atual modelo que apóia a comercialização e diminui os custos com estocagem é positivo. Mas esse modelo também mostrou uma fragilidade", afirmou Rossi à Reuters, em entrevista durante a Agrishow, maior exposição agrícola da América Latina.

Essa fragilidade, segundo Rossi, aparece porque o governo, com menos estoques, ficaria sem tanto poder de ação para controlar preços ou atender ao mercado se houver frustração de safra.

"O modelo atual deixa o governo sem condições de intervir em situações extremas, para atender uma situação de emergência e situações especiais, como é o caso do milho", disse Rossi.

Os estoques públicos de milho da Conab estão atualmente em apenas 200 mil toneladas, contra um consumo médio mensal do Brasil de 3,6 milhões de toneladas.

A safra de milho do país em 2007/08, cuja colheita de verão está em andamento, é estimada pelo governo em um recorde de 56,2 milhões de toneladas.

Embora afirme que o Brasil seja auto-suficiente em alimentos, com exceção do trigo (importado em sua maioria), o governo também viu surgir uma luz amarela recentemente, depois que os preços do arroz dispararam seguindo uma tendência mundial.   Continuação...