30 de Abril de 2008 / às 18:22 / 9 anos atrás

AGRISHOW-Governo pode recompor estoques para atender emergências

Por Roberto Samora

RIBEIRÃO PRETO, 30 de abril (Reuters) - O governo brasileiro avalia retomar uma política de formação de estoques públicos de produtos básicos, como arroz, feijão e milho, para atender a situações emergenciais, em meio à alta dos preços dos alimentos, declarou o presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Wagner Rossi.

Nos últimos anos, o governo tem evitado realizar compras diretas de agricultores para a formação de estoques, substituindo essa forma de apoio à comercialização por outros programas, como os que subsidiam o frete de transporte de grãos.

“Há um consenso de que o atual modelo que apóia a comercialização e diminui os custos com estocagem é positivo. Mas esse modelo também mostrou uma fragilidade”, afirmou Rossi à Reuters, em entrevista durante a Agrishow, maior exposição agrícola da América Latina.

Essa fragilidade, segundo Rossi, aparece porque o governo, com menos estoques, ficaria sem tanto poder de ação para controlar preços ou atender ao mercado se houver frustração de safra.

“O modelo atual deixa o governo sem condições de intervir em situações extremas, para atender uma situação de emergência e situações especiais, como é o caso do milho”, disse Rossi.

Os estoques públicos de milho da Conab estão atualmente em apenas 200 mil toneladas, contra um consumo médio mensal do Brasil de 3,6 milhões de toneladas.

A safra de milho do país em 2007/08, cuja colheita de verão está em andamento, é estimada pelo governo em um recorde de 56,2 milhões de toneladas.

Embora afirme que o Brasil seja auto-suficiente em alimentos, com exceção do trigo (importado em sua maioria), o governo também viu surgir uma luz amarela recentemente, depois que os preços do arroz dispararam seguindo uma tendência mundial.

Isso até levou o Ministério da Agricultura a cancelar vendas externas programadas de seus estoques. O governo ainda pediu ao setor privado que evite exportações para diminuir os riscos de desabastecimento no futuro.

O consumo médio de arroz do Brasil é de pouco mais de 1 milhão de toneladas por mês. A Conab tem estoques de cerca de 1,2 milhão de toneladas, segundo Rossi.

“Não estamos pensando em fazer grandes estoques... Poderiam ser feitos estoques de produtos básicos, como arroz, feijão e milho, que fossem suficientes para atender o consumo de um mês. Outros países, com intempéries climáticas mais severas, eles têm de seis meses a um ano em estoques estratégicos, mas nós não precisamos disso.”

Durante uma entrevista na Agrishow, o ex-ministro Roberto Rodrigues defendeu que o governo retomasse a sua política de recuperação dos estoques públicos, assim como ele fez com o milho quando assumiu o cargo.

De acordo com Rossi, a definição de como será feita a recomposição dos estoques públicos será tomada ainda no primeiro semestre, após negociações com o Ministério da Fazenda.

“Mas vamos agir com cautela, pois os preços dos grãos estão elevados. Vamos comprar gradativamente”, disse.

Rossi defendeu ainda que os estoques públicos de grãos sejam renovados a cada ano, “para não termos estoques velhos.”

“Além do custo com estocagem, estoques velhos também perdem qualidade.”

VENDAS GRADATIVAS

O presidente da Conab afirmou também que, de posse de mais produtos estocados, o governo poderia agir em caso de altas expressivas de preços ou de escassez pontual de produtos em algumas regiões.

E como o estoque do governo deverá ser pequeno, ele não terá repercussão no mercado, disse ele, afirmando que tal ação não depreciaria os preços dos produtos.

A Conab atuaria em casos como o Nordeste, que consome mais milho do que produz.

Edição de Marcelo Teixeira

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