PETROBRAS vê restrição ao crédito, mas aposta em forte portfólio

quarta-feira, 17 de setembro de 2008 15:32 BRT
 

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO, 17 de setembro (Reuters) - O gerente executivo da área financeira da Petrobras, Pedro Bonesio, previu nesta quarta-feira que apesar da inevitável restrição de crédito que afetará todos os países, devido à atual turbulência no setor financeiro, a estatal poderá realizar captações no mercado visando 2009. Para 2008, ressaltou, as captações realizadas já são suficientes.

"Certamente vamos ter problemas de acessar mercado, mas vamos ter oportunidades também. A gente tem uma história, um portfólio como nunca tivemos, vamos ter espaço para fazer captações e trazer os recursos necessários", afirmou o executivo na conferência Rio Oil & Gas 2008.

Mas se a crise piorar ou se estender por um longo prazo "todos vão ter que refazer seu portfólio, inclusive a Petrobras", admitiu.

Segundo Bonesio, este ano a Petrobras (PETR4.SA: Cotações) já captou 7,2 bilhões de dólares por meio do mercado de capitais, empréstimos bancários, 'project finances' e outros instrumentos financeiros, e não planeja emissão de ações ou outras captações para 2008.

Ele informou que eventuais captações, sejam por meio de ações ou qualquer outro instrumento, serão conhecidas no Plano Estratégico 2009-2020, que será divulgado em outubro.

"Não precisamos acessar mercado agora. Qualquer movimento este ano já é pensando em 2009", explicou, informando que os spreads para as captações já estão mais elevados e os prazos mais curtos.

Em relação à necessidade de investimentos nos projetos para exploração e produção na camada pré-sal da bacia de Santos, que alguns bancos de investimentos estimam em cerca de 500 bilhões de dólares --cifra que o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli considerou "um absurdo" esta semana--, Bonesio explicou que como o grosso do investimento será no longo prazo, não há preocupação imediata.

"O volume maior dos investimentos do pré-sal não é imediato. Vamos torcer pelo fim da crise no mercado, mas talvez ano que vem e o outro ainda sejam um pouco afetados", avaliou.   Continuação...