17 de Setembro de 2008 / às 18:34 / 9 anos atrás

PETROBRAS vê restrição ao crédito, mas aposta em forte portfólio

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO, 17 de setembro (Reuters) - O gerente executivo da área financeira da Petrobras, Pedro Bonesio, previu nesta quarta-feira que apesar da inevitável restrição de crédito que afetará todos os países, devido à atual turbulência no setor financeiro, a estatal poderá realizar captações no mercado visando 2009. Para 2008, ressaltou, as captações realizadas já são suficientes.

"Certamente vamos ter problemas de acessar mercado, mas vamos ter oportunidades também. A gente tem uma história, um portfólio como nunca tivemos, vamos ter espaço para fazer captações e trazer os recursos necessários", afirmou o executivo na conferência Rio Oil & Gas 2008.

Mas se a crise piorar ou se estender por um longo prazo "todos vão ter que refazer seu portfólio, inclusive a Petrobras", admitiu.

Segundo Bonesio, este ano a Petrobras (PETR4.SA) já captou 7,2 bilhões de dólares por meio do mercado de capitais, empréstimos bancários, 'project finances' e outros instrumentos financeiros, e não planeja emissão de ações ou outras captações para 2008.

Ele informou que eventuais captações, sejam por meio de ações ou qualquer outro instrumento, serão conhecidas no Plano Estratégico 2009-2020, que será divulgado em outubro.

"Não precisamos acessar mercado agora. Qualquer movimento este ano já é pensando em 2009", explicou, informando que os spreads para as captações já estão mais elevados e os prazos mais curtos.

Em relação à necessidade de investimentos nos projetos para exploração e produção na camada pré-sal da bacia de Santos, que alguns bancos de investimentos estimam em cerca de 500 bilhões de dólares --cifra que o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli considerou "um absurdo" esta semana--, Bonesio explicou que como o grosso do investimento será no longo prazo, não há preocupação imediata.

"O volume maior dos investimentos do pré-sal não é imediato. Vamos torcer pelo fim da crise no mercado, mas talvez ano que vem e o outro ainda sejam um pouco afetados", avaliou.

FUNDOS

Bonesio informou que para estimular a indústria de fornecedores, que terá papel fundamental na exploração com alto grau de conteúdo nacional do petróleo do pré-sal, a Caixa Econômica Federal e o Modal estão lançando um fundo de investimentos voltado para o setor.

O fundo tem como meta atingir 400 milhões de reais até o início do próximo ano, que serão investidos em empresas do segmento de petróleo e gás. O retorno para os acionistas virá por futuros desinvestimentos do fundo nas empresas ou eventuais aberturas de capital das mesmas.

O momento do mercado também não assusta o gerente nacional de Fundos de Investimento da Caixa Econômica Federal, Roberto Madoglio, que confia no potencial do segmento.

"Não podemos pensar no curto prazo. O público-alvo são investidores brasileiros institucionais...vamos começar agora a consulta aos investidores, se não tiver demanda a gente revê as metas", afirmou o executivo da CEF.

Edição de Marcelo Teixeira

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