Apertada, corrida eleitoral nos EUA mobiliza europeus

terça-feira, 8 de janeiro de 2008 12:21 BRST
 

Por Erik Kirschbaum

BERLIM (Reuters) - Uma gama de candidatos com perfis inesperados, duas disputas apertadas já no começo da campanha e o anseio por ver um novo rosto na Casa Branca despertaram a atenção dos europeus para a corrida presidencial nos EUA, que começa a ganhar ritmo.

Dez meses antes de os norte-americanos escolherem o sucessor do presidente George W. Bush, muitos europeus exibem um conhecimento amplo sobre a disputa e uma compreensão balizada a respeito das nuances do pleito em Estados como Iowa e New Hampshire.

Em Berlim, Paris, Roma e em outras partes da "Velha Europa", onde não se esqueceu esse título pouco lisonjeiro conferido ao continente pelo ex-secretário de Defesa dos EUA Donald Rumsfeld, há pessoas ansiosas para discutir os méritos da política externa de Hillary Clinton ou o carisma de Barack Obama.

Em cafés e bares, parece sempre haver alguém falando sobre o ministro batista Mike Huckabee, o mórmon Mitt Romney e sua oposição aos direitos dos homossexuais, a idade de John McCain e suas opiniões a respeito do Iraque ou de Rudy Giuliani.

"Desta vez, não se trata meramente de uma disputa com um punhado de homens brancos com cabelos brancos", afirmou Norman Roy, 26, funcionário de um escritório em Berlim. "Com a participação de uma mulher e de um negro, a eleição é algo totalmente diferente agora. Há um verdadeiro interesse a respeito dela."

Cientistas políticos, colunistas e cidadãos comuns da Europa disseram que o clamor internacional por um novo presidente norte-americano revela-se particularmente intenso depois dos sete anos de desavenças com o governo Bush a respeito de questões como o Iraque, o Irã e o aquecimento global.

"Bush polarizou a Europa e várias pessoas associam essa eleição com o fim de um período horrível das relações entre os EUA e a Europa", disse Christian Hacke, professor de ciências políticas da Universidade de Bonn. "Há uma ânsia entre os europeus por um novo começo."

Apesar de as eleições de novembro costumarem despertar atenção na Europa, o nível de interesse nas prévias -- alimentado pela cobertura dos jornais e da TV -- é impressionante levando-se em conta que os europeus são meros espectadores do processo.   Continuação...