23 de Outubro de 2007 / às 02:50 / 10 anos atrás

Renan se compara a coco em palmeira e diz que só sai arrancado

<p>O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) recorreu a met&aacute;foras para mostrar que apesar das press&otilde;es n&atilde;o est&aacute; disposto a se licenciar do cargo para p&ocirc;r fim &agrave; crise que amea&ccedil;a a aprova&ccedil;&atilde;o da CPMF. A colegas de fun&ccedil;&atilde;o, comparou-se a um coco para ilustrar sua disposi&ccedil;&atilde;o em ficar. Foto em Bras&iacute;lia, 9 de outubro. Photo by Jamil Bittar</p>

Por Natuza Nery

BRASÍLIA (Reuters) - O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) recorreu a metáforas para mostrar que apesar das pressões não está disposto a se licenciar do cargo para pôr fim à crise que ameaça a aprovação da CPMF. A colegas de função, comparou-se a um coco para ilustrar sua disposição em ficar.

"Rapaz, para tirar o coco, não basta balançar o pé que ele não cai. Quem quiser, vai ter que subir no pé e retirar o coco com as próprias mãos", disse o presidente do Congresso a senadores aliados que estiveram com ele noite passada, horas depois de enfrentar a mais ampla reação em plenário desde o início da crise.

Renan Calheiros está no centro da crise há cinco meses. Ele está incomodado com as recentes deserções, mas, independentemente das baixas, não se mostra disposto a sair.

A interlocutores, diz estar convencido de que a oposição e o PT querem o seu cargo. Se pedir uma licença de 120 dias, como prevê o regimento, dá como certa a traição.

"Não tem espaço para a licença", disse Renan à Reuters nesta tarde.

O senador Tião Viana (PT-AC), primeiro vice-presidente da Casa, assumiria a vaga caso Renan se afastasse.

Renan Calheiros não conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde a quinta-feira passada, mas faz elogios ao comportamento do presidente.

"Ele tem sido correto comigo", assegurou.

Lula está preocupado com a votação da CPMF, enquanto o peemedebista faz chegar ao aliado a lógica do "ruim com ele, pior sem ele."

Renan já provou que, apesar de enfraquecido, ainda exerce liderança no PMDB. Há duas semanas, influenciou parte da bancada a derrotar a medida provisória que criava a Secretaria de Planejamento de Longo Prazo para Mangabeira Unger.

Caso seja abandonado pelo Palácio do Planalto, "mangabeiriza" a CPMF, argumentam senadores ligados a Renan.

ABAIXO-ASSINADO

Na tarde desta quarta-feira, parlamentares lançaram um movimento suprapartidário no salão verde da Câmara dos Deputados pelo afastamento imediato de Renan da presidência do Senado. O ato teve o apoio de quase 60 deputados e de 16 senadores, que na véspera jantaram na casa do deputado José Aníbal (PSDB-SP).

"O cerco será total. Ele não tem mais como continuar, está inviabilizado", disse Aníbal.

Também foi lançado um abaixo-assinado exigindo a saída do senador. "Numa situação dessas que estamos vivendo, Senado e Câmara são a mesma coisa. Todos nós, parlamentares, pertencemos ao Congresso Nacional. Não podemos fugir nem escapar deste compromisso", diz o texto do abaixo-assinado.

O grupo promete realizar um ato toda quarta-feira até que o senador deixe o posto.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below