Uribe enfrenta Corte Suprema após ser acusado por um paramilitar

terça-feira, 9 de outubro de 2007 10:02 BRT
 

Por Luis Jaime Acosta

BOGOTÁ, 9 de outubro (Reuters) - Um ex-integrante dos esquadrões paramilitares de ultradireita acusou o presidente da Colômbia de ordenar o assassinato de outro integrante desses grupos ilegais, o que provocou na segunda-feira um forte atrito entre o governo e a Corte Suprema de Justiça.

Trata-se da primeira acusação penal contra o presidente Álvaro Uribe, já afetado pela suposta ligação de parlamentares aliados seus a esses esquadrões, acusados de massacrar milhares de civis, o que se tornou a pior crise política recente da história colombiana.

Em nota, a Presidência disse que o paramilitar José Orlando Moncada (o "Tasmânia") declarou nos dias 4 e 5 de outubro a uma comissão do Ministério Público que Uribe foi o mentor, em 2003, do atentado contra seu companheiro Alcides de Jesús Durango, o "René".

Mas Uribe revelou ter recebido informações e uma carta de Moncada na qual este relata que foi abordado na prisão e levado às instalações do Ministério Público de Antioquia, onde um juiz ofereceu benefícios a ele e a sua família caso prestasse depoimento contra o presidente.

"Conhecedor dessa situação, o presidente solicita ao procurador-geral que antecipe as gestões cabíveis a fim de verificar os fatos denunciados por esse senhor, para que se faça absoluta clareza das circunstâncias que rodearam esse episódio", disse o governo.

"O presidente da República reitera que nunca teve nenhum tipo de relação com os sujeitos mencionados nesse incidente", acrescentou a nota.

Uribe admitiu ter ligado para o juiz auxiliar da Corte Suprema Iván Velásquez para averiguar se havia alguma denúncia contra si. Mas o presidente negou ter obstruído a ação da Justiça, como afirmou a Corte.

"Isso merece ser esclarecido, e estou em todo direito de pedir que se esclareça. O que tem de haver é uma Justiça transparente e imparcial, e não manobras", afirmou Uribe, que em 2003 iniciou uma negociação com os paramilitares, o que permitiu que mais de 31 mil combatentes depusessem suas armas.

O presidente da Corte Suprema, que investiga mais de 30 parlamentares governistas por suposta ligação com paramilitares, reagiu qualificando a nota de Uribe e o telefonema ao juiz como formas de obstrução da Justiça.

"Esses fatos são gravíssimos, implicam claros atos de obstrução ao trabalho que vem desempenhando de maneira imparcial esta corporação no tocante ao chamado tema da 'parapolítica'", disse o juiz César Julio Valencia.