Cabeludo, Karadzic tinha nome falso e era médico alternativo

terça-feira, 22 de julho de 2008 08:58 BRT
 

BELGRADO (Reuters) - O ex-dirigente servo-bósnio Radovan Karadzic, preso nesta semana para ser julgado por genocídio e crimes de guerra, vivia disfarçado num subúrbio de Belgrado, escondia o rosto com barba, cabelo comprido e óculos, e praticava medicina alternativa, disseram autoridades na terça-feira.

Numa foto recente mostrada a jornalistas, Karadzic estava irreconhecível, muito magro, com uma longa barba branca e uma vasta cabeleira. Ele foi preso quando se deslocava de um lugar para outro.

"Ele estava usando documentos falsos sob o nome de Dragan Dabic", disse Rasim Ljajic, representante do governo sérvio para a cooperação com o tribunal de crimes de guerra da ONU em Haia.

"Ele foi muito convincente em ocultar sua identidade, ganhava a vida praticando a medicina alternativa, trabalhava numa clínica particular", disse o funcionário. Karadzic é formado em medicina e se especializou em psiquiatria.

O último endereço conhecido de Karadzic foi o subúrbio de Nova Belgrado, onde existem enormes condomínios residenciais.

O ex-presidente da República Sérvia da Bósnia foi indiciado em 1995 por crimes cometidos durante a guerra de independência (1992-95) daquele país, que ele lutava para impedir. Uma das acusações mais graves diz respeito ao massacre de 8.000 homens e meninos muçulmanos na cidade de Srebrenica.

O promotor Vladimir Vukcevic disse que as autoridades não divulgariam detalhes sobre a prisão de Karadzic, ocorrida na segunda-feira à noite, para não atrapalhar a captura de dois outros supostos criminosos de guerra ainda foragidos.

"Ele andava por aí livremente, até aparecia em lugares públicas. Quem alugou o apartamento para ele não conhecia sua verdadeira identidade," disse Vukcevic.

"Ele foi interrogado durante a noite. Sua identidade foi confirmada e ele foi entregue para o indiciamento. Ele estava se defendendo principalmente com o silêncio."

A Justiça já aceitou sua extradição para Haia, mas a defesa tem três dias para recorrer. A sentença final deve levar outros três dias.

 
<p>Foto de arquivo de Radovan Karadzic de 1995  REUTERS. Photo by &cedil; Ranko Cukovic</p>