ANÁLISE-Saída de Fidel não muda política dos EUA para Cuba

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008 17:20 BRT
 

Por Sue Pleming

WASHINGTON (Reuters) - A renúncia do presidente Fidel Castro não muda a política do governo Bush para Cuba, o que significa a manutenção do embargo e de outras restrições enquanto Raúl Castro -- a quem Washington chama de "ditador light" -- estiver no poder.

Autoridades norte-americanas e especialistas disseram que, com Raúl substituindo Fidel definitivamente, após um ano e meio de interinidade, há pouca chance de que Cuba deixe de ser alvo do isolamento e da retórica hostil por parte dos EUA.

"Trata-se de uma transferência de autoridade e poder de um ditador para um ditador 'light' -- de Fidel para Raúl. Isso é algo que não queremos ver acontecer", disse o porta-voz do Departamento de Estado, Tom Casey, na terça-feira.

Os EUA vêm se preparando nos últimos anos para o fim da era Fidel, e para isso recuperaram um plano de transição que prevê eleições livres e democráticas.

Mas especialistas dizem que o governo de George W. Bush, cujo mandato termina em janeiro de 2009, está decido a "esperar para ver", e que eventuais mudanças na abordagem são mais prováveis depois que houver um novo ocupante na Casa Branca.

"Não acho que haverá qualquer abertura política em curto prazo sob Raúl", disse Peter DeShazo, diretor do programa para as Américas na entidade Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, em Washington.

Os pré-candidatos democratas Barack Obama e Hillary Clinton sinalizam com a suspensão do embargo econômico, em vigor desde 1962, caso a ilha realize reformas democráticas. Já o pré-candidato republicano John McCain disse que os EUA devem manter a pressão sobre o regime comunista.

Washington rompeu relações diplomáticas com Havana em 1961, dois anos depois do triunfo da revolução de Fidel, que logo depois de ascender ao poder aproximaria Cuba da União Soviética.   Continuação...