Bush escreveu carta a Kim Jong-il, diz Coréia do Norte

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007 11:34 BRST
 

SEUL (Reuters) - A Coréia do Norte disse na quinta-feira que seu misterioso líder Kim Jong-il recebeu uma carta pessoal do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que no passado comparou Kim a uma criança mimada.

A agência estatal de notícias KCNA disse que Christopher Hill, secretário-assistente de Estado norte-americano que está em visita à Coréia do Norte, entregou a carta na quarta-feira ao chanceler norte-coreano, Paik Ui Chun.

Não há informações sobre o conteúdo da carta, mas sua simples existência já é notável, diante da antiga hostilidade entre os dois países, que continuam tecnicamente em guerra.

Nos primeiros anos do governo Bush, os EUA adotaram posturas extremamente rígidas contra Pyongyang, especialmente a respeito de seu programa de armas nucleares. Em 2002, Bush incluiu a Coréia do Norte na lista de inimigos que ele batizou de "eixo do mal", junto com o Irã e o Iraque pré-guerra.

Naquele mesmo ano, segundo a revista Newsweek, Bush surpreendeu uma reunião de senadores republicanos ao lançar um duro ataque pessoal contra Kim.

"Ele está matando seu povo de fome, e aprisionando intelectuais num gulag (presídio soviético) do tamanho de Houston", teria dito Bush, acrescentando que o líder comunista norte-coreano era um "pigmeu" que agia como "uma criança mimada à mesa do jantar".

Em 2003, porém, Washington começou a usar a diplomacia nos esforços para persuadir Kim a abandonar suas ambições nucleares. Naquele ano, começou na China um longo processo de negociação, que incluía também EUA, Japão, Rússia e as duas Coréias.

Após anos de impasse, o processo pluripartite deu frutos em fevereiro de 2007, quando Pyongyang aceitou abandonar o programa de armas nucleares em troca de ajuda econômica e de maior reconhecimento diplomático. Desde então, as relações entre Coréia do Norte e EUA vivem uma notável melhoria.

Em 1950, tropas dos EUA ocuparam a península da Coréia para impedir a invasão do Norte comunista no Sul capitalista. A guerra durou três anos, mas nunca houve um tratado que a encerrasse formalmente. Até hoje há forças norte-americanas estacionadas na Coréia do Sul.

(Por Roger Crabb)