16 de Setembro de 2008 / às 18:57 / 9 anos atrás

Com pré-sal, Brasil poderá dobrar oferta de gás

Por Roberto Samora e Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Apenas os campos sob a camada de sal da bacia de Santos, incluindo Júpiter, Tupi, Iara e Carioca, deverão mais que dobrar a oferta de gás no Brasil, avaliou nesta terça-feira a Gás Energy Participações, assessoria empresarial do setor.

"Júpiter, Tupi, Iara e Carioca têm potencial de produzir 120 milhões de metros cúbicos por dia", disse o sócio-diretor da consultoria, Marco Tavares, em entrevista a jornalistas durante a Rio Oil & Gas 2008.

Desses quatro blocos, apenas Tupi e Iara tiveram potencial projetado, de 5 a 8 bilhões de barris e 3 a 4 bilhões de óleo equivalente, respectivamente.

Ele destacou que mesmo que, por exemplo, 40 milhões de metros cúbicos do volume de 120 milhões tenham de ser usados para a reijeção nos poços, para otimizar a produção de petróleo, essa região petrolífera ainda ofertaria ao país 80 milhões de metros cúbicos.

"As oportunidades que vão se abrir serão fantásticas. Mesmo reinjetando 40 milhões, vamos produzir mais do que o dobro do que a gente produz hoje", destacou.

Segundo Tavares, a melhor forma de a Petrobras e outras empresas que atuam nessa região transportarem o gás seria, primeiro, liquefazendo o produto ainda em alto-mar e depois transportando-o via navios.

Por meio de uma estrutura de transporte de gás natural liquefeito --a Petrobras já está implantando dois terminais de regaseificação e tem projeto para um terceiro--, o Brasil poderia não apenas suprir as suas necessidades com o gás do pré-sal, mas também exportar o produto, especialmente para países da América do Sul, que também estão montando estrutura semelhante para receber o produto.

"A solução seria integrar não só o Brasil, mas também a América do Sul. Seria a forma mais inteligente", acrescentou o consultor, citando que o Chile, a Argentina, o Uruguai e a Colômbia estão investindo em terminais para operar com o gás natural liquefeito (GNL).

Essa possibilidade, segundo ele, provocaria uma integração energética no continente por meio de navios, e não por gasodutos, como chegou a ser estudado.

Ele lembrou ainda que a maior parte do consumo de energia no Brasil está na região costeira do país, e essa nova oferta de gás poderia beneficiar diretamente as áreas mais industrializadas. "Não faz sentido fazer o transporte por dutos, a costa é melhor para recebê-lo", disse ele, avaliando que é mais barato levar o gás por navio do que por duto.

Os investimentos para viabilizar a produção na região da bacia de Santos estão previstos entre 200 e 600 bilhões de dólares.

LUTANDO CONTRA INSTABILIDADE

Segundo o consultor, atualmente tanto a Bolívia como o Brasil estão buscando formas de encarar crises relacionadas a eventuais problemas de abastecimento boliviano.

Na semana passada, por algumas horas, a Bolívia deixou de enviar a metade do total de 30 milhões de metros cúbicos diários que fornece regularmente por contrato.

Segundo ele, já há alguns avanços, como a disposição do governo boliviano de garantir a integridade das instalações com o uso do Exército, além de avanços técnicos realizados naquele país para o envio do produto.

No caso do Brasil, a logística de transporte melhorou, há o Plangás (plano para expandir a produção implantado desde 2004) e também os preparativos para a importação do GNL (Gás Natural Liquefeito), o que também permitiria ao Brasil suportar em oito a nove meses eventuais cortes da Bolívia.

"Hoje ainda não conseguimos resolver (se tiver o corte de fornecimento boliviano)," disse ele, lembrando que se o envio cair para 22 milhões de metros cúbicos, o Brasil ainda "conseguiria absorver", desligando térmicas e reduzindo o uso em refinarias.

De acordo com o consultor, se o fornecimento cair pela metade (15 milhões), o país não conseguiria superar o problema sem cortar o fornecimento para empresas e para carros que usam GNV. Se o envio for reduzido a zero, não haveria outra solução a não ser paralisar algumas indústrias.

Edição de Marcelo Teixeira

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