Irã diz estar pronto para negociar sobre incentivos nucleares

quinta-feira, 19 de junho de 2008 09:56 BRT
 

Por Frank Nyakairu e Wangui Kanina

CAMPALA, Uganda (Reuters) - O Irã afirmou na quinta-feira estar pronto para negociar a respeito de um novo pacote de incentivos econômicos apresentado por grandes potências mundiais para convencê-lo a abrir mão da parte mais delicada de seu programa nuclear.

O ministro iraniano das Relações Exteriores, Manouchehr Mottaki, disse em uma entrevista coletiva realizada na capital de Uganda, Campala, que as seis potências responsáveis pelo pacote -- EUA, Rússia, China, Grã-Bretanha, França e Alemanha -- também deveriam analisar com seriedade as propostas elaboradas pelo próprio Irã.

"Nós lhes informamos sobre nossa disposição para negociar. O pacote apresentado pelos P5+1 (os cinco membros do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, ONU, mais a Alemanha) vem sendo avaliado e, no momento apropriado, o governo iraniano vai se manifestar a respeito", afirmou Mottaki.

"Também dispomos do que descrevemos como sendo o pacote iraniano, o qual enviamos aos países do P5+1 e que esperamos seja avaliado por eles enquanto nós avaliamos o pacote deles", acrescentou o chanceler, que está em Uganda para participar de um encontro da Organização da Conferência Islâmica.

O principal diplomata da União Européia (UE), Javier Solana, apresentou ao Irã, no sábado, o novo pacote de benefícios econômicos elaborado para convencer esse país a limitar suas atividades no setor nuclear. Segundo Solana, os iranianos precisam interromper o enriquecimento de urânio a fim de realizar negociações sobre aquelas medidas.

Na terça-feira, o Irã disse que o enriquecimento de urânio representava sua "margem de segurança" e que continuaria com essa atividade apesar dos novos incentivos oferecidos.

O pacote atual resulta da revisão de um outro já rejeitado pelo país islâmico em 2006. Algumas potências ocidentais, que suspeitam da possibilidade de o Irã usar seu programa nuclear civil como disfarce para desenvolver bombas atômicas, disseram aos iranianos que eles podem sofrer mais sanções se rejeitarem essa nova oferta.

Na qualidade de signatário do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, o Irã insiste ter o direito de dominar o ciclo completo de produção de combustíveis para usinas atômicas, o que inclui o enriquecimento de urânio. O país argumenta que pretende lançar mão da energia nuclear a fim de gerar eletricidade.   Continuação...