5 de Novembro de 2007 / às 13:41 / 10 anos atrás

EUA e China aceitam criar "linha direta" para questões militares

Por Andrew Gray

PEQUIM (Reuters) - China e Estados Unidos concordaram nesta segunda-feira em reforçar sua cooperação militar, inclusive com o estabelecimento de uma linha telefônica direta, mas ainda há discordâncias sobre a ampliação do poderio bélico chinês.

O secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, disse ter abordado com seu colega Cao Gangchuan a "incerteza sobre a modernização militar chinesa e a necessidade de maior transparência para afastar as preocupações internacionais".

Cao defendeu a rápida ampliação dos gastos militares chineses e, segundo Gates, não tratou das preocupações dos EUA com o teste, realizado neste ano, de um míssil chinês capaz de abater satélites.

Os dois anunciaram acordos para ampliar a cooperação e a instalação de uma ligação direta para momentos de crise. "Os Estados Unidos têm uma relação com a China que é honesta, construtiva e cooperativa", disse Gates.

A agência estatal de notícias Xinhua disse que essa será a primeira linha direta para temas militares da China com outros governos.

Os dois países, ambos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, também discutiram o programa nuclear do Irã. Gates enfatizou a importância da pressão econômica para impedir que Teerã obtenha armas nucleares -- o que a República Islâmica diz não querer. Washington tenta impor na ONU sanções mais duras ao país, enquanto a China se opõe.

As relações militares entre China e Estados Unidos viveram um momento de tensão em 2001, quando ambos romperam contatos por causa de uma colisão entre um caça chinês e um avião norte-americano de espionagem.

Embora os laços tenham melhorado notavelmente desde então, Washington diz que Pequim não explicou suficientemente por que seu orçamento militar cresce mais do que 10 por cento. Washington diz também que o orçamento oficial é apenas uma pequena parte da cifra real.

Os EUA ficaram especialmente alarmados quando Pequim abateu um de seus próprios satélites, em janeiro, com um míssil terra-ar.

Gates mostrou-se tenso quando questionado sobre isso. "Apresentei (a Cao) nossas preocupações a respeito e não houve mais discussão", afirmou.

O orçamento militar oficial da China neste ano é de 45 bilhões de dólares -- aumento de 17,8 por cento em relação ao ano anterior. Cao disse ter havido apenas "um deslocamento normal da nossa força militar em nosso próprio território".

Cao disse que a China deseja uma reunificação pacífica com Taiwan, mas que se as autoridades da ilha continuarem inclinadas pela independência, "os 1,3 bilhão de chineses de forma alguma vão concordar com isso".

Taiwan goza de autonomia desde o fim da guerra civil chinesa, em 1949, mas nunca declarou formalmente a independência. Pequim trata a ilha como uma "província rebelde".

Cao disse que ele e Gates concordaram que ambas as Marinhas realizem um complexo exercício conjunto "no momento adequado".

Decidiram também realizar mais intercâmbio educacional e promover uma maior cooperação entre os seus arquivos militares para resolver o destino de soldados desaparecidos durante a Guerra da Coréia (1950-53), segundo Cao.

Gates se encontra na terça-feira com o presidente Hu Jintao, antes de embarcar, ainda nesta semana, para Coréia do Sul e Japão.

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