Mianmar rejeita relatório de Pinheiro à ONU

terça-feira, 11 de dezembro de 2007 22:06 BRST
 

Por Laura MacInnis

GENEBRA, 11 de dezembro (Reuters) - Mianmar rejeitou na terça-feira o relatório do brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, enviado especial da ONU, segundo o qual o regime militar do país usou força excessiva para conter os protestos de setembro.

Wunna Maung Lwin, embaixador birmanês na ONU em Genebra, disse que não havia necessidade de um inquérito mais profundo sobre o "intimidador desafio" de conter as manifestações populares, lideradas por monges budistas.

"Exercer seu direito soberano de lidar com uma situação violenta não deveria ser configurado como uma violação dos direitos humanos", disse ele numa reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU.

"Conseguimos restaurar a paz e a estabilidade, e a situação está de volta à normalidade em todo o país", afirmou.

A repressão aos protestos pacíficos --os maiores desde 1988-- provocou condenação internacional e a possibilidade de mais sanções contra a antiga Birmânia.

Em texto preparado aos 47 membros do Conselho de Direitos Humanos, o relator especial Paulo Sérgio Pinheiro disse que pelo menos 31 pessoas foram mortas na repressão em Mianmar. A imprensa estatal havia noticiado dez mortes.

Lwin disse ao Conselho que seu país está frustrado com o relatório e negou a acusação feita por Pinheiro de que 1.000 das 4.000 pessoas detidas na época continuam atrás das grades.

"Quase todos os detidos em conexão com os fatos de setembro foram libertados", afirmou, acrescentando que o governo anistiou 8.585 prisioneiros, deixando apenas 80 detidos "por violações a leis existentes em Mianmar".

Na sexta-feira, o Conselho vai considerar uma resolução apresentada pela União Européia que pede a volta de Pinheiro a Mianmar até março para avaliar a situação com mais detalhes.