Obama e Hillary vão a evento procurar voto religioso

segunda-feira, 14 de abril de 2008 10:45 BRT
 

Por Ed Stoddard

GRANTHAM, Estados Unidos (Reuters) - A pré-candidata democrata a presidente dos EUA Hillary Clinton foi no domingo a um evento religioso no qual defendeu o direito ao aborto, que segundo ela diz respeito não só à "potencial vida" do feto como também à vida de outras pessoas, inclusive os pais.

De olho no importante eleitorado religioso de todos os espectros políticos, Hillary e seu rival Barack Obama participaram do evento promovido pela entidade Fé na Vida Pública no campus da faculdade Messiah, perto de Harrisburg, na Pensilvânia, o próximo Estado a realizar eleições primárias, no dia 22.

O direito ao aborto é uma das questões mais polêmicas da política norte-americana, e muitos participantes, especialmente líderes evangélicos, são contra a prática.

Durante o evento, transmitido pela TV para todo o país, um participante perguntou a Hillary se ela acredita que "a vida começa na concepção" --o que pressupõe que não deveria poder ser destruída pelo aborto.

"Acredito que o potencial para a vida começa na concepção..., mas para mim não se trata só da potencial vida, mas das outras vidas envolvidas", respondeu Hillary, lembrando que o assunto é polêmico também entre os metodistas, como ela.

Ela também reiterou sua crença de que o aborto, embora deva permanecer legal, deveria ser raro e seguro.

"Os indivíduos devem ter o direito de tomar esta profunda decisão, porque a alternativa seria uma tal intrusão da autoridade do governo que seria dificílima de sustentar na nossa sociedade aberta", disse ela.

Obama, que participou depois de Hillary do evento, disse que "a adoção é uma opção", mas salientou que continua defendendo o direito ao aborto.

Diante da mesma pergunta sobre o começo da vida na concepção, o senador afirmou: "Isso é algo sobre o que eu acho que não cheguei a uma resolução firme... Não presumo saber a resposta a essa questão."

Os candidatos também responderam a perguntas sobre pobreza, direitos humanos e mudança climática --temas adotados pelo poderoso movimento evangélico dos EUA, que vem ampliando sua agenda para além de polêmicas comportamentais, como a oposição ao aborto e à união homossexual.