Países ricos devem pagar por florestas, diz relatório britânico

terça-feira, 14 de outubro de 2008 09:00 BRT
 

Por Gerard Wynn

LONDRES, 14 de outubro (Reuters) - Os países ricos deveriam pagar bilhões de dólares por ano pela preservação das florestas tropicais, seja com doações ou pelo comércio de créditos de carbono, segundo relatório encomendado pelo governo britânico e divulgado na terça-feira.

Em um prazo mais longo, até 2030, os países em desenvolvimento também deveriam começar a contribuir financeiramente e a adotar metas compulsórias de reflorestamento e combate ao desmatamento.

A derrubada das florestas, para a extração de madeira e ampliação das fronteiras agrícolas, gera cerca de um quinto das emissões globais de gases do efeito estufa. Apesar da urgência em combater o problema, há divisões sobre como agir.

O relatório de terça-feira recebeu críticas de alguns corretores de créditos de carbono e de ONGs ambientais, para quem o texto minimizou os custos e evitou citar questões concretas, como a corrupção e as disputas fundiárias.

O estudo, batizado de "Mudança Climática: Financiando as Florestas Globais", dá ênfase aos mecanismos de créditos de carbono, pelo qual os países desenvolvidos pagam pela redução das emissões de carbono nos países pobres, de modo a compensar as suas próprias emissões excessivas.

"O desmatamento vai continuar enquanto cortar e queimar árvores for mais viável do ponto de vista econômico do que preservá-las", disse Johan Eliasch, assessor especial do governo britânico sobre o desmatamento e autor do relatório.

O texto estima que o comércio dos créditos de carbono poderia reduzir o desmatamento em até 75 por cento até 2030, e defende a inclusão das florestas no novo acordo climático global, a ser definido pela ONU até o final de 2009, para entrar em vigor depois de 2012.

Mas o relatório admite que, mesmo com os créditos, ainda haveria um déficit de 11 a 19 bilhões de dólares até 2020, e que essa quantia precisaria ser coberta por doadores.   Continuação...