Kassab nega 'salto alto' e minimiza críticas de ministros

sexta-feira, 10 de outubro de 2008 13:33 BRT
 

SÃO PAULO, 10 de outubro (Reuters) - O prefeito-candidato à reeleição em São Paulo Gilberto Kassab (DEM) afirmou nesta sexta-feira que espera um segundo turno "muito difícil" contra Marta Suplicy (PT) e avaliou que as críticas feitas a ele por ministros não vão influenciar os votos dos paulistanos.

"O importante é que qualquer um que se envolva na campanha discuta propostas para a cidade de São Paulo. O importante não é quem está ao lado dela é quem está ao meu lado", disse ele a jornalistas após vistoria em obras da prefeitura no bairro pobre do Grajaú, zona sul da cidade.

Na quinta-feira, em ato de apoio a Marta, ministros associaram Kassab à elite e ao conservadorismo. O secretário-geral da Presidência, Luiz Dulci, declarou que o prefeito é um "síndico conservador".

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou que o candidato, aliado do governador paulista, José Serra, subiu no "salto alto" por conta da mais recente pesquisa de intenção de voto do Datafolha que o coloca 17 pontos à frente da petista. Kassab negou a acusação.

"É uma eleição muito difícil, o eleitor precisa ser muito respeitado", disse o prefeito, repetindo a necessidade de comparar propostas e alianças políticas para que a população "faça uma análise do processo como um todo."

"A população vota com isso na cabeça, com as realizações, não com outras coisas", completou ele, que recebeu apoio no segundo turno do PSDB de Serra, do PTB e do PPS.

Parte da estratégia da campanha de Marta é ligar Kassab aos ex-prefeitos Paulo Maluf e Celso Pitta, de quem foi secretário de Planejamento. Maluf e Pitta têm ampla rejeição no eleitorado.

A campanha petista também vai insistir em falar das raízes do DEM, que tem vários políticos que apoiaram a ditadura militar no Brasil, de 1964 a 1985.

"Eu mal tinha nascido", disse Kassab, 48 anos, respondendo à vinculação feita pelos petistas. "A população vai saber avaliar os candidatos adequadamente."

(Reportagem de Maurício Savarese, Edição de Mair Pena Neto)