31 de Março de 2008 / às 13:05 / em 9 anos

Basra volta ao normal com trégua de Sadr

Por Aref Mohammed

BASRA, Iraque, 31 de março (Reuters) - Moradores de Basra enterraram seus mortos e limparam as ruas na segunda-feira, aproveitando a volta da tranqüilidade à cidade, graças a uma trégua --que, no entanto, não evitou novos confrontos em Bagdá.

O clérigo xiita Moqtada Al Sadr determinou no domingo que sua milícia Exército Mehdi deixasse as ruas, depois de sofrer quase uma semana de repressão devido a confrontos no sul do Iraque e na capital.

A vida lentamente volta ao normal em Basra, onde milicianos mascarados já não são mais vistos agitando armas abertamente nas ruas, como fizeram durante vários dias.

“Controlamos as aldeias em torno de Basra e também dentro da cidade. Não há confrontos em lugar nenhum de Basra. Estamos agora desmantelando bombas nas calçadas”, disse o general iraquiano Mohammed Jawan Huweidi, responsável pela região.

As lojas começam a reabrir, algumas pela primeira vez em uma semana. As autoridades disseram que as escolas vão reabrir na terça-feira. Com mangueiras, os moradores limpavam os restos de carros queimados, enquanto outros levavam cadáveres para o sepultamento.

Muitos culpavam o governo do premiê Nuri al-Maliki pela violência. “Hoje a situação está boa. A batalha acabou. Mas Maliki não conseguiu o que queria. Ele arruinou Basra”, disse o comerciante Numan Taha, de 40 anos, que reabria sua loja no bairro de Hayaniya, um reduto sadrista.

Em Bagdá, onde o toque de recolher imposto há três dias já foi praticamente suspenso, a trégua parece tênue --na melhor das hipóteses. De acordo com a polícia, seis morteiros atingiram a “Zona Verde” (área com edifícios públicos e diplomáticos). Sirenes soaram, e uma voz gravada orientou as pessoas a buscarem abrigo.

O major Mark Cheadle, porta-voz militar dos EUA, disse ter havido confrontos em vários bairros de Bagdá na madrugada de segunda-feira. Na noite de domingo, as forças dos EUA solicitaram pelo menos três bombardeios com helicópteros, apesar da trégua de Sadr. Um desses ataques, segundo os norte-americanos, matou 25 combatentes que haviam promovido uma explosão contra um comboio.

Os ataques dos helicópteros norte-americanos, antes raros na capital, se tornaram comuns desde a semana passada.

“Os ataques não pararam. Ainda há muitos inimigos por aí, não vamos deixar de proteger a população”, disse Cheadle, admitindo, no entanto, que os combates na capital diminuíram nos últimos dois dias.

“Eles estavam procurando uma desculpa para parar de lutar. Eles não gostam de nos enfrentar porque acabam mortos.”

A gigantesca favela de Sadr City, que tem 2 milhões de habitantes e é o principal reduto de Sadr na capital, foi cenário de violentos combates nos últimos dias e continua sitiada por forças iraquianas e norte-americanas, mas aparentemente a situação é tranqüila, segundo um morador, que descreveu a semana passada como “uma tragédia: sem água, sem comida, com lixo acumulado nos becos”.

Correspondentes da Reuters disseram que a situação se normalizou também em cidades do sul onde antes havia combates, como Kut, Hilla e Nassiriya.

Reportagem adicional de Peter Graff, Aseel Kami, Aws Qusay e Randy Fabi em Bagdá

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