Militares dos EUA libertam cinegrafista da Reuters no Iraque

quinta-feira, 21 de agosto de 2008 12:37 BRT
 

Por Peter Graff

BAGDÁ (Reuters) - As Forças Armadas dos EUA libertaram um cinegrafista da Reuters na quinta-feira depois de mantê-lo detido por três semanas no Iraque sem acusá-lo formalmente de crime nenhum.

Ali al-Mashhadani, que também trabalha como freelance para a BBC e para a Rádio Nacional Pública (dos EUA), foi detido em Bagdá no dia 30 de julho, dentro da Zona Verde (uma área de segurança reforçada), enquanto se submetia a verificações de rotina para manter a carteira de jornalista fornecida pelos militares norte-americanos.

Soldados dos EUA haviam prendido Mashhadani duas vezes antes, em uma delas mantendo-o encarcerado durante cinco meses. Mas o cinegrafista, vindo de Ramadi (capital da Província de Anbar, no oeste do Iraque), nunca foi acusado de nada oficialmente.

Os militares norte-americanos disseram que, na última vez, Mashhadani foi detido "porque acabou sendo identificado como uma ameaça à segurança do Iraque e das forças de coalizão". Não foram fornecidos maiores detalhes.

O editor-chefe da Reuters, David Schlesinger, afirmou estar satisfeito com o fato de o cinegrafista haver sido libertado. Mas se disse preocupado porque essa era a terceira vez em que ele era "detido sem explicação".

"Se há questões legítimas a respeito dele ou de qualquer jornalista, que essas questões venham a público e sejam analisadas. Se não há nenhuma, que eles tenham liberdade de trabalhar livremente, sem medo ou intimidação."

Jon Williams, editor mundial da BBC News, afirmou: "Ali é parte de nossa família iraquiana --os colegas dele em Londres e em Bagdá estão felizes com a libertação dele. Agora esperamos que as autoridades militares dos EUA ofereçam uma explicação para a prisão de Ali."

O contra-almirante Patrick Driscoll, porta-voz das Forças Armadas norte-americanas, afirmou estar se preparando para responder às perguntas feitas pela Reuters.   Continuação...