Aumento salarial de Sarkozy gera piada e irritação na França

quarta-feira, 31 de outubro de 2007 19:29 BRST
 

Por Jon Boyle

PARIS (Reuters) - O presidente Nicolas Sarkozy foi duramente criticado na quarta-feira pelos franceses por se dar um aumento salarial de 140 por cento, enquanto grande parte da população se aflige com os preços do pão, do leite e do queijo.

Os parlamentares aprovaram na noite de terça-feira o aumento do salário presidencial de 8.457 euros (cerca de 12,2 mil dólares) para 19.331 euros por mês, equiparando seus rendimentos aos do primeiro-ministro François Fillon.

O governo diz que faltava transparência à forma anterior de pagamento, já que a presidência usava verbas de várias rubricas para complementar o salário oficial.

Mas o momento da medida não poderia ser pior, pois os sindicatos já estão indignados com ameaças a antigos privilégios do funcionalismo público, e as famílias trabalhadoras se queixam da carestia.

"O efeito é desastroso", disse o deputado socialista Arnaud Montebourg ao jornal Le Monde. "É um insulto à pobreza", afirmou.

Dados divulgados na quarta-feira mostraram que o preço recorde do petróleo e o forte aumento no custo da cesta básica levaram a confiança do consumidor a seu menor nível nos últimos sete meses.

"A ligação entre o aumento na renda do presidente e a estagnação do poder de compra dos franceses é especialmente chocante", disse outro deputado socialista, Jean Launay.

O "Les Guignols", popular programa de sátira política com marionetes, não perdeu tempo. Mostrou o presidente de óculos escuros e procurando uma casa de luxo na Córsega, ilha mediterrânea onde ele acaba de passar dois dias.   Continuação...

 
<p>O presidente Nicolas Sarkozy (centro) foi duramente criticado na quarta-feira pelos franceses por se dar um aumento salarial de 140 por cento, enquanto grande parte da popula&ccedil;&atilde;o se aflige com os pre&ccedil;os do p&atilde;o, do leite e do queijo. Foto em C&oacute;rsega, Fran&ccedil;a, 31 de outubro. Photo by Philippe Wojazer</p>