Reforma da Carta pode vir por iniciativa popular, diz Chávez

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007 10:10 BRST
 

CARACAS (Reuters) - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse na madrugada de quarta-feira que sua reforma constitucional "continua", apesar de ter sido rejeitada no referendo de domingo, e que uma versão simplificada pode ser apresentada por iniciativa popular ainda durante seu mandato.

O resultado do referendo representou a primeira derrota eleitoral de Chávez nestes nove anos desde que foi eleito pela primeira vez. O presidente reafirmou seu projeto socialista e pediu aos seguidores que levantem o "moral revolucionário", pois "virá uma nova ofensiva".

"No período constitucional eu já perdi o direito de apresentar uma proposta de reforma com iniciativa minha, mas o povo venezuelano tem o poder e o direito de apresentar uma solicitação de reforma antes que termine este período", disse Chávez em um programa da TV pública.

O item mais polêmico da reforma era a ampliação do mandato presidencial de seis para sete anos e o fim do limite à reeleição do mandatário.

O presidente também poderia restringir a liberdade de expressão em caso de "emergência". A oposição acusou Chávez de pretender acumular poderes de forma ditatorial, enquanto o governo dizia que a reforma serviria para aprofundar o "poder popular".

Caso a Constituição -- implantada pelo próprio Chávez -- não seja alterada por iniciativa popular ou do Congresso, o presidente prometeu entregar o governo ao fim de seu mandato, em 2013, mas disse que não abandonará a vida pública.

Ele admitiu que algumas mudanças propostas, como a criação de novas divisões político-administrativas e de novos tipos de propriedade social, eram "complexas" demais.

Chávez disse ter tomado "solitariamente" a decisão de reconhecer a derrota, pois "se tivessem terminado de contar até as últimas atas (o resultado seria) um empate técnico".

"É o plano do império (EUA) para tentar continuar apresentando aos povos do mundo um Hugo Chávez irascível, cabeça quente (...), que continua sendo um tirano que é preciso matar ou que é preciso derrubar," afirmou.   Continuação...