Rodada Doha é possível em 2008 mas diferenças persistem, diz OMC

terça-feira, 18 de dezembro de 2007 20:16 BRST
 

GENEBRA (Reuters) - Os membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) concordaram na terça-feira que é possível concluir em 2008 a chamada Rodada Doha do comércio global, mas que ainda há grandes diferenças entre países ricos e pobres e mesmo entre as nações em desenvolvimento.

Vários oradores no conselho geral da direção da OMC disseram que com empenho será possível concluir no ano que vem as negociações para a abertura comercial global.

Mas os países da OMC -- 152 com a adesão de Cabo Verde, firmada na reunião de terça-feira -- discordam sobre questões substanciais como o tamanho dos cortes tarifários para cada país e o tipo de tratamento especial que países em desenvolvimento devem receber.

Também há divisões sobre como realizar as discussões, lançadas há seis anos.

O diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, disse que há importantes avanços ocorrendo e que os participantes estão ficando mais próximos de um acordo preliminar a respeito das áreas principais -- agricultura e indústria.

"É seguramente factível e novamente estamos hoje mais próximos da nossa meta, mas ainda é algo por fazer", disse ele na reunião, segundo transcrição divulgada à imprensa.

Um orador de Lesoto disse, em nome dos países mais pobres do mundo, que houve mais avanços nos últimos seis meses do que nos dois anos anteriores. Neste semestre houve discussão de questões específicas para agricultura e indústria, que serão resumidas em duas propostas a serem apresentadas em janeiro pelos coordenadores das respectivas áreas.

Em geral, os países em desenvolvimento pressionam os desenvolvidos a reduzir suas tarifas e subsídios agrícolas, enquanto os países ricos querem que os pobres abram seus mercados industriais e de serviços.

Grandes países em desenvolvimento, como Brasil e África do Sul, lembram que o objetivo da Rodada Doha é reduzir a pobreza por meio do comércio, e que por isso os países desenvolvidos precisam fazer maiores concessões e a agricultura deve ditar o rumo das negociações.   Continuação...