Chefe do Pentágono vai a Kosovo e reitera compromisso dos EUA

terça-feira, 7 de outubro de 2008 09:05 BRT
 

Por Kristin Roberts

PRISTINA, 7 de outubro (Reuters) - Os Estados Unidos manterão tropas em Kosovo pelo menos até o final de 2009, disse na terça-feira o secretário norte-americano de Defesa, Robert Gates, reiterando o apoio à missão de paz da Otan no território.

Gates é a principal autoridade norte-americana a visitar Kosovo desde a declaração de independência, em fevereiro. Ele disse que o objetivo dele era visitar soldados dos EUA. Nenhum secretário norte-americano de Defesa ia a Kosovo desde 2001.

O funcionário negou que a intenção da viagem seja cutucar a Rússia, que se opõe à independência kosovar e em agosto reconheceu a independência das regiões separatistas georgianas da Ossétia do Sul e Abkházia, aparentemente numa resposta à posição dos EUA pró-Kosovo.

"Não considero que Kosovo seja um quintal russo", disse Gates a jornalistas que lhe perguntaram sobre a eventual reação russa à visita. "Meu propósito primário ao ir a Kosovo é visitar as tropas norte-americanas por lá."

Durante a semana, o secretário deve se reunir com vários ministros europeus de Defesa, tendo o fortalecimento militar russo e a atual intervenção de Moscou na Geórgia como temas principais da pauta.

Na terça-feira, o chefe do Pentágono se encontra com autoridades kosovares, e ao longo da semana se reunirá também com dirigentes georgianos e ucranianos, durante eventos ministeriais na Macedônia e na Hungria.

As relações entre EUA e Rússia pioram continuamente nos últimos dois anos, em grande parte por causa da intenção norte-americana de instalar um escudo antimísseis no Leste Europeu, tradicional esfera de influência de Moscou. Os russos reagem realizando exercícios militares que estavam esquecidos desde o fim da Guerra Fria.

Desde o início do conflito na Geórgia, os EUA buscam um equilíbrio entre o apoio às pequenas democracias da região e a necessidade de manter a Rússia envolvida em questões globais importantes, como o combate ao programa nuclear iraniano.

"Temos de descobrir o caminho correto em termos da realidade que temos para fazer negócios com a Rússia em questões importantes, mas ao mesmo tempo passar o recado de que não dá para manter os negócios habituais depois do que aconteceu na Geórgia", disse Gates.