Crise nos Andes não afeta economia local, dizem especialistas

quinta-feira, 6 de março de 2008 19:44 BRT
 

Por Hugh Bronstein

BOGOTÁ (Reuters) - As economias de Colômbia, Venezuela e Equador não devem ser afetadas pela crise diplomática provocada pela incursão militar colombiana em território equatoriano, segundo especialistas ouvidos na quinta-feira.

Por causa da crise, a Venezuela reduziu ao mínimo essencial o comércio que passa por seus 2.219 quilômetros de fronteira com a Colômbia -- apenas produtos perecíveis estão sendo autorizados a entrar.

Mas os economistas lembram que há grande vinculação entre os dois países, e que por isso o confronto não deve se prolongar.

"A Colômbia responde por quase um quinto do fornecimento de alimentos para a Venezuela", disseram em nota analistas do Royal Bank of Scotland. "Com uma inflação anual de 25 por cento, um 'choque de oferta' na Venezuela seria um duro golpe para o presidente [Hugo] Chávez."

O comércio entre Colômbia e Equador não foi afetado, e a fronteira de 586 quilômetros permanece aberta.

Os governos da Venezuela e do Equador exigem que Bogotá se desculpe pela invasão do território equatoriano e prometa nunca mais usar tropas em países vizinhos para perseguir militantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

"Mas há muitas razões para acreditar que a disputa não vai se ampliar a partir daí", disseram os analistas do RBS.

O último atrito entre Chávez e o presidente conservador da Colômbia, Álvaro Uribe, provocado pela prisão de um líder das Farc por agentes da Colômbia em território venezuelano, durou cerca de um mês, mas ocorreu num momento de grande popularidade de Chávez -- não tão expressiva agora, em parte devido à pressão inflacionária na Venezuela, segundo o RBS.   Continuação...