6 de Junho de 2008 / às 20:37 / 9 anos atrás

Dilma nega que "fogo amigo" esteja na origem de denúncias

Por Sinara Sandri

PORTO ALEGRE (Reuters) - Ao ser provocada sobre a possibilidade de estar sob alvo de “fogo amigo”, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) negou a ligação das denúncias de tráfico de influência na venda da Varig e do vazamento de dados sobre contas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso às disputas internas para a definição do candidato do PT à presidência da República.

“Está cada vez mais evidente que o fogo é inimigo”, disse a ministra em entrevista nesta sexta-feira à Rádio Gaúcha.

Foi a reação da ministra a uma pergunta que relacionava o ex-ministro José Dirceu a José Aparecido Nunes, ex-funcionário da Casa Civil, envolvido no vazamento dos dados de FHC, e Denise Abreu, ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Potencial candidata à Presidência pelo PT, Dilma refutou a hipótese de que estaria sendo alvo de uma manobra de desgaste por parte de Dirceu.

“Não é nenhum fogo amigo que tem levado a isso, até porque os documentos relativos ao banco de dados que saíram daqui não chegaram às mãos da imprensa pelo funcionário que entregou os dados. Deve ter chegado através de algum outro mecanismo. Brasília inteira sabe através de quem foi e não foi fogo amigo. No caso da Anac, também acredito que tenha esse componente”, disse a ministra.

Para Dilma, a suposta simpatia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela sua candidatura na sucessão presidencial não seria motivo para que outros grupos do PT estivessem mirando sua estabilidade no governo.

“O candidato (à presidência da República) terá necessariamente que passar pelo PT, mas isso não está em pauta hoje”, afirmou Dilma.

A ministra reafirmou que as denúncias feitas por Denise Abreu de que ela teria pressionado a favor do grupo que comprou a Varig em 2006 são falsas.

Segundo Dilma, as pressões para o socorro teriam partido de vários setores e o governo, através da lei de falências, teria conseguido manter a viabilidade da venda ao evitar a desvalorização da companhia aérea.

Para a ministra, as acusações apresentadas por Denise deverão ser respondidas e as responsabilidades apuradas.

“É muito estranho que alguém tenha uma decisão e alegue que foi o governo ou a Casa Civil que tenha obrigado a tomar esta decisão. Há que provar”, disse Dilma.

A ex-diretora da Anac deve comparecer ao Senado na quarta-feira da próxima semana para prestar esclarecimentos sobre suas denúncias, que vieram a público esta semana.

Em outra frente, o juiz José Paulo Magano, da 17a Vara Cível de São Paulo, solicitou à Procuradoria Geral da República que investigue a possível interferência da ministra no negócio.

A Varig foi comprada pela Volo do Brasil, formada pelo fundo norte-americano Matlin Petterson e por três sócios brasileiros, em 2006. Em março de 2007, foi adquirida pela Gol.

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