Alemanha propõe que Israel troque novos assentamentos por paz

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008 22:13 BRST
 

BERLIM (Reuters) - O ministro alemão de Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, disse na quinta-feira que Israel deveria suspender a ampliação de seus assentamentos caso deseje a paz com os palestinos.

Em discurso para ser lido em evento da Fundação Bertelsmann, Steinmeier listou três pontos centrais para o diálogo e a paz na região --melhores condições econômicas para os palestinos, mais segurança e congelamento dos assentamentos.

"Os assentamentos são uma questão muito complicada e delicada para ambos os lados. Mas acredito que se levarmos a sério uma solução com dois Estados, então a construção de novos e a ampliação dos assentamentos existentes na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental devem ser paralisadas", disse ele, segundo o texto.

"Percebo que o congelamento dos assentamentos é doloroso para Israel, especialmente em torno de Jerusalém. Não obstante, trata-se de uma questão de credibilidade para todo o processo de negociação: se questões territoriais estão sendo debatidas, não podem ser dados passos que cimentem a propriedade."

Altos funcionários do governo alemão normalmente são cuidadosos em evitar qualquer crítica a Israel, devido ao passado nazista da Alemanha. Essas declarações de Steinmeier estão entre as mais fortes já feitas por ele sobre a questão dos assentamentos.

Elas coincidem com uma escalada de violência entre palestinos e israelenses, o que ameaça o recém-retomado processo de paz, tema da visita na semana passada do presidente norte-americano, George W. Bush, ao Oriente Médio.

Durante a visita, Bush defendeu que Israel encerre a "ocupação" da Cisjordânia e propôs que um tratado de paz seja assinado ainda durante seu governo, que termina em janeiro de 2009. Raramente os EUA usam o termo "ocupação" para se referir à presença israelense nos territórios.

Quase 500 mil judeus vivem na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, territórios ocupados por Israel na guerra de 1967.

Pressionado por Washington, o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, determinou a suspensão efetiva das obras de ampliação dos assentamentos.

Mas Israel não considera como assentamentos a construção de casas em áreas da Cisjordânia anexadas a Jerusalém, e Olmert não abandonou os planos de construir casas em uma área disputada entre Jerusalém Oriental e Belém (cidade palestina na Cisjordânia).