Inflação da baixa renda tem nova alta em maio por alimentos

quinta-feira, 5 de junho de 2008 13:49 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A inflação dos mais pobres se manteve em maio acima da variação de preços das demais classes de renda e a distância entre as camadas se ampliou nos últimos meses, segundo pesquisa da FGV.

A Fundação Getúlio Vargas afirmou que essa tendência deve continuar no curto prazo em razão da pressão dos alimentos impactando o poder de compra das famílias de baixa renda.

O Índice de Preços ao Consumidor da baixa renda (IPC-C1) subiu 1,38 por cento em maio, ante alta de 0,97 por cento em abril, enquanto que o IPC-Brasil variou, respectivamente, 0,87 por cento e 0,72 por cento.

No ano, a inflação dos mais pobres soma 4,62 por cento e em 12 meses, 8,24 por cento. O IPC-Brasil acumula 3,05 por cento e 5,59 por cento, respectivamentede.

"A diferença entre os dois indicadores vem aumentando e tende a aumentar ainda mais no curto prazo devido a alta dos aliementos. Ainda há espaço para pressões do atacado chegar ao varejo. Essas altas estão previstas para itens da cesta básica", disse o economista da FGV André Furtado Braz ao destacar que ainda poderá haver repasse em produtos como arroz, feijão, carne e derivados de trigo (macarrão, pão e biscoito).

Os alimentos pesam no orçamento dos mais pobres 40 por cento enquanto que no IPC-Brasil 28 por cento.

O economista da área social da FGV, Marcelo Néri, alertou que a inflação de alimentos está corroendo desde 2007 o poder de compra dos consumidores de baixa renda, mas o impacto sobre os brasileiros tem sido amortecido pela desvalorização do dólar.

"O Brasil tem vivido os custos da inflação mundial de alimentos, mas o câmbio é um atenuante. O preocupante é que dificilmente a taxa de câmbio vai cair mais a ponto de continuar ajudando", disse Néri.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier; Edição de Vanessa Stelzer)