PERFIL-Agnelli, o diretor de banco que virou rei da mineração

sexta-feira, 14 de março de 2008 17:42 BRT
 

Por Andrei Khalip

RIO DE JANEIRO, 14 de março (Reuters) - Há cerca de dez anos, quando Roger Agnelli era um jovem diretor de banco que estruturava negócios de compras e fusões, poucos poderiam imaginar que ele acabaria guiando uma das maiores mineradoras do mundo em uma série de aquisições de âmbito internacional.

Mas é precisamente isso que Agnelli, de 48 anos, fez desde que assumiu em 2001 a privatizada Companhia Vale do Rio Doce (VALE5.SA: Cotações) (RIO.N: Cotações).

Amigos e rivais dizem que um faro apurado para grandes negócios, uma vasta experiência no mercado de capitais, carisma e perseverança -- misturada com agressividade e um estilo de gerenciamento que alguns consideram autoritário -- são fatores chave que Agnelli levou para a Vale, ajudando a transformá-la em uma potência global.

Esse executivo tornou-se um símbolo da nova Vale, que entrou num ciclo aparentemente incessante de expansão, acabando com o foco exclusivo no minério de ferro e voltando-se para outros metais.

Sob o comando de Agnelli, já foram 14 aquisições, inclusive a compra da produtora canadense de níquel Inco, por 18 bilhões de dólares, em 2006. Agora, a Vale está envolvida em complexas negociações para adquirir a concorrente anglo-suíça Xstrata XTA.L, no que poderia ser um dos maiores negócios já vistos de aquisições, num valor superior a 90 bilhões de dólares.

"Ele fez um trabalho fantástico ao tirar proveito do momento e perceber que uma empresa como a Vale tinha de se expandir para o exterior", disse o bilionário empresário do setor de mineração Eike Batista, que em 2005 vendeu para a Vale a sua grande participação na canadense Canico, um negócio que incluía a licença do depósito de níquel Onça Puma, no Brasil.

"O 'timing' da aquisição da Canico foi excelente, a Inco ficou ainda melhor, poucos meses antes de os preços triplicarem. Ele é a pessoa certa no lugar certo, na hora certa, sempre", disse Batista, filho de um ex-presidente da Vale no período estatal.

A privatização ocorreu em 1997, por 3 bilhões de dólares. O valor de mercado da empresa cresceu 16 vezes nos últimos cinco anos, alcançando 157 bilhões de dólares em meados de março.   Continuação...