1 de Agosto de 2008 / às 19:33 / 9 anos atrás

ELEIÇÃO-Disputa municipal testa projeto do novo PFL

Por Fernando Exman

BRASÍLIA (Reuters) - O Democratas disputará as eleições municipais de outubro sabendo que o sucesso do seu projeto de renovação e a permanência da sigla no grupo dos maiores partidos políticos brasileiros dependerão dos resultados obtidos nas urnas. O sucesso da estratégia, no entanto, parece distante.

Presidente do Democratas, o deputado Rodrigo Maia (RJ) admite que o número de prefeituras administradas pelo partido deve diminuir. Atualmente, o DEM controla as duas principais cidades do país, São Paulo e Rio de Janeiro, além de outras 790. Segundo estimativa do parlamentar, a sigla deve vencer em no máximo 500 municípios nas eleições deste ano.

Em 2004, o DEM, que ainda se chamava PFL, também obteve desempenho negativo nas eleições municipais. Ganhou em 789 cidades, ante 1.025 em 2000, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Maia tenta, entretanto, minimizar a pressão que pesa sobre os candidatos e a nova Executiva da sigla.

"Ninguém constrói um partido em dois anos", pondera, referindo-se ao período em que o partido mudou de nome e rejuvenesceu a direção.

Se os candidatos não vencerem, aposta a cúpula do DEM, pelo menos eles se credenciarão para as próximas eleições.

Assim, o partido terá mais condições de aumentar as bancadas da Câmara e do Senado. A expansão da representação do partido no Legislativo é essencial para que o DEM tenha direito a um fundo partidário maior e a mais tempo de propaganda gratuita no rádio e na televisão, dois instrumentos necessários para levar a mensagem do partido ao maior número possível de eleitores.

"Ainda que não tenhamos sucesso eleitoral, estaremos com o time em campo. Time que não entra em campo não tem torcida", destaca o vice-presidente para Assuntos Institucionais do DEM, deputado André de Paula (PE). "O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva perdeu três eleições antes de ganhar duas."

O DEM passa por um processo de reformulação. No ano passado, trocou de nome e jovens políticos assumiram o comando do dia-a-dia do partido em substituição a antigos caciques, como o ex-presidente da legenda e ex-senador Jorge Bornhausen (SC).

A sigla terá candidato próprio em 12 capitais. Em Salvador, o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto, de 29 anos, tenta se eleger prefeito e manter a influência política do grupo que era comandado pelo seu avô, ex-senador Antonio Carlos Magalhães, morto no ano passado.

Em Recife, o candidato a prefeito é José Mendonça Bezerra Filho, de 42 anos. Ambos ocupam a liderança das pesquisas de intenções de votos.

Valéria Pires Franco (Belém), Vilmar Ruiz (Palmas), Moroni Torgan (Fortaleza) e Mendonça Prado (Aracaju) também disputam as primeiras colocações das pesquisas. O mesmo não ocorre em outras capitais.

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, é o terceiro colocado nas pesquisas, bem atrás de Marta Suplicy (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB).

No Rio de Janeiro, a deputada Solange Amaral divide o quarto lugar em empate técnico com Fernando Gabeira (PV), Chico Alencar (PSOL), Alessandro Molon (PT) e Paulo Ramos (PDT). À frente encontram-se Marcelo Crivella (PRB), Jandira Feghali (PCdoB) e Eduardo Paes (PMDB).

Para Maia, Kassab e Solange tendem a melhorar suas marcas com o início da propaganda eleitoral na televisão em 19 agosto. Kassab, ainda relativamente desconhecido do paulistano, tem mais tempo de propaganda gratuita do que os concorrentes. "A avaliação do governo ainda não colou na do candidato", argumenta o presidente do DEM.

Já a candidata do Rio reforçará a campanha de rua, complementa.

A situação crítica é verificada em Belo Horizonte, onde, segundo o instituto Datafolha, Gustavo Valadares só conquistou 4 por cento das intenções de votos. Em Porto Alegre, a candidatura de Onyx Lorenzoni também não decolou até agora.

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