28 de Janeiro de 2008 / às 14:44 / 10 anos atrás

Em discurso anual, Bush tentará acalmar americanos

<p>O presidente dos EUA, George W. Bush, cumprimenta visitantes na Casa Branca. Bush usar&aacute; seu &uacute;ltimo discurso do Estado da Uni&atilde;o para acalmar os norte-americanos apreensivos diante dos esfor&ccedil;os realizados por seu governo para salvar a economia. Photo by Yuri Gripas</p>

Por Matt Spetalnick e Tabassum Zakaria

WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos EUA, George W. Bush, usará seu último discurso do Estado da União, a ser realizado nesta segunda-feira, para acalmar os norte-americanos apreensivos diante dos esforços realizados por seu governo para salvar a economia.

Bush também quer traçar um rumo que mantenha seu governo relevante ao longo do seu último ano de mandato.

No entanto, enfraquecido politicamente devido à impopular guerra no Iraque e cada vez mais ofuscado pela corrida para escolher seu sucessor, Bush deve gastar mais energia com a reciclagem de algumas idéias antigas do que com a realização de novas e audaciosas propostas.

O discurso anual, realizado diante do Congresso e transmitido em cadeia nacional de TV, pode ainda representar a última chance dele para usar o teleprompter presidencial para fixar o tom de seus últimos meses na Casa Branca e salvar seu problemático legado.

De toda forma, imprensado entre as prévias democratas realizadas no sábado na Carolina do Sul e as prévias republicanas de terça-feira na Flórida, Bush enfrenta o desafio de fazer-se ouvir em meio ao burburinho da campanha presidencial de 2008.

Do topo da agenda para seu sétimo discurso do Estado da União devem constar declarações para convencer os norte-americanos da eficiência de um pacote de 150 bilhões de dólares elaborado com o objetivo de evitar uma recessão econômica alimentada pelo aumento dos preços do petróleo e por uma crise no mercado de crédito imobiliário.

O presidente tenta atualmente afastar as manobras realizadas por senadores democratas com vistas a ampliar o pacote para além da restituição de impostos e do incentivo aos negócios acertados com líderes da Câmara dos Representantes (deputados) na semana passada.

"Apesar de compreender o desejo tanto da direita quanto da esquerda de acrescentar medidas, seria um erro minar esse importante acordo bipartidário", disse Bush em seu discurso semanal no rádio, realizado no sábado.

O presidente fará seu pronunciamento no Capitólio às 0h (horário de Brasília).

REALISMO

Bush, que criticou o Congresso por inserir em projetos de lei emendas prevendo mais gastos, adotará uma postura mais rígida do que a adotada até agora para coibir a prática de sugerir propostas de interesse pontual que beneficiam alguns distritos dentro dos Estados.

"Hoje à noite, em seu discurso do Estado da União, o presidente anunciará medidas sem precedentes que está adotando para reduzir e reformar o sistema de emendas", disse Tony Fratto, porta-voz da Casa Branca.

"O presidente dirá que se houver justificativas para realizar os gastos então o Congresso deveria debatê-los de forma pública e aberta", afirmou o porta-voz.

Segundo Fratto, Bush deve prometer vetar qualquer projeto que não diminua os gastos com as emendas pela metade em relação ao nível do Orçamento atual.

E mandará que as agências do governo ignorem as emendas defendidas em relatórios que acompanham as novas leis mas que não têm poder de lei eles próprios.

Ao lado da economia, que deve ser o assunto principal do discurso, o presidente deve falar também sobre a diminuição da violência no Iraque, a luta contra a Aids na África e os esforços de combate ao aquecimento global.

Enquanto alguns norte-americanos já olham para além de Bush, à espera de seu sucessor, outros começam a avaliar o legado da Presidência dele, algumas vezes de forma bastante dura.

"Ele é um desastre -- se não for o pior presidente de todos os tempos, Bush é ao menos o pior desde Carter, Hoover e qualquer outro caso recente de fracasso", afirmaram Lou e Carl Cannon, autores de um livro sobre o lugar do atual presidente na história.

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