Desigualdade cresce, mas tecido social se mantém, diz OCDE

terça-feira, 21 de outubro de 2008 08:52 BRST
 

Por Crispian Balmer

PARIS, 21 de outubro (Reuters) - A disparidade entre ricos e pobres cresceu na maioria dos países ricos, mas não tão rápido quanto imaginavam alguns, e não a ponto de ameaçar o tecido social, disse a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em relatório divulgado na terça-feira.

O grupo, que reúne 30 países, disse que os governos estão contrabalançando as disparidades com aumento de impostos e de gastos sociais.

Segundo os últimos dados da OCDE, a Dinamarca tem a menor taxa de desigualdade, um pouco à frente da Suécia, enquanto o México tem a pior, seguida pela Turquia.

"O aumento da desigualdade, embora disseminado e significativo, não foi espetacular como a maioria provavelmente acha que foi", disse o estudo, de 309 páginas.

"Esta diferença entre o que os dados mostram e o que as pessoas pensam sem dúvida reflete parcialmente o chamado 'efeito revista Hello'", diz o texto, explicando que as pessoas lêem sobre os super-ricos e amplificam esse fenômeno.

Nos 24 países da OCDE onde há dados disponíveis, o aumento cumulativo da disparidade, entre meados da década de 1980 e meados dos anos 2000, ficou em torno de 7 por cento. O crescimento foi mais expressivo até meados da década de 1990.

O relatório diz que tal aumento "não justificaria que se fale no colapso da sociedade", mas que a intervenção dos governos tem ajudado a controlar a disparidade.

"Nos países desenvolvidos, os governos têm taxado mais e gastado mais para contrabalançar a tendência a mais desigualdade. Eles agora gastam mais em políticas sociais do que em qualquer outro momento da história."   Continuação...