5 de Novembro de 2007 / às 14:31 / 10 anos atrás

EUA e Grã-Bretanha pressionam Paquistão por eleições livres

Por Augustine Anthony

ISLAMABAD (Reuters) - Os Estados Unidos e a Grã-Bretanha intensificaram nesta segunda-feira as pressões sobre o presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, exigindo que as eleições sejam realizadas conforme o previsto, mesmo após seu polêmico decreto de estado de emergência no final de semana.

No mesmo dia, a polícia paquistanesa deteve centenas de advogados que protestavam contra Musharraf, na maior crise enfrentada pelo país desde que ele subiu ao poder, em 1999.

Musharraf e seu primeiro-ministro garantiram nesta segunda-feira que as eleições vão acontecer, sem especificar quando.

O presidente citou como justificativas para a medida anunciada no sábado a atividade crescente de militantes e a ação de juízes supostamente hostis ao governo.

Ele também impôs limites à liberdade de imprensa com vistas a evitar que a insatisfação generalizada chegue às ruas.

A manobra realizada pelo general Musharraf intensificou o clima de incerteza no país, que possui armas nucleares. Na segunda-feira, o presidente veio a público rebater rumores de que estaria sob prisão domiciliar.

“Isso é uma piada sem tamanho”, disse o general à Reuters, em Islamabad, pouco antes de se reunir com 80 diplomatas estrangeiros para explicar as recentes medidas.

A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, disse que Musharraf, que costuma ganhar elogios de autoridades norte-americanas por cooperar na luta contra a Al Qaeda e o Taliban, deveria abandonar as Forças Armadas, tornar-se um líder civil e realizar as eleições gerais previstas para janeiro.

“Acreditamos que o melhor caminho para o Paquistão é regressar rapidamente à via constitucional e, depois, realizar eleições”, afirmou a secretária em uma entrevista coletiva ocorrida na Cisjordânia.

A agência de notícias estatal Associated Press of Pakistan disse que Musharraf havia garantido a enviados estrangeiros a realização das eleições convocadas para consolidar a transição do país para uma democracia liderada por um civil.

O primeiro-ministro paquistanês, Shaukat Aziz, garantiu que o país terá eleições nacionais como agendado. “Nossa idéia sobre as eleições é que elas irão acontecer de acordo com o planejado”, disse Aziz a jornalistas nesta segunda-feira, sem especificar se o pleito seria em janeiro.

DATAS INDEFINIDAS

O pleito deveria ocorrer em janeiro, mas o panorama agora se complicou devido à imposição das medidas de emergência.

Os EUA, que forneceram 10 bilhões de dólares em ajuda nos últimos cinco anos, resolveram reavaliar as próximas remessas de dinheiro.

“As ações adotadas nas últimas 72 horas (no Paquistão) são preocupantes”, disse o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, durante uma visita à China. O Pentágono adiou a realização de um encontro com o Paquistão previsto para esta semana e no qual seriam discutidas questões de segurança.

O nível de insegurança aumentou muito no país desde julho, quando forças do governo invadiram a Mesquita Vermelha, em Islamabad, para acabar com um grupo militante armado. Desde então, quase 800 pessoas foram mortas em episódios de violência ligados a militantes. Metade delas perdeu a vida em atentados suicidas.

A Grã-Bretanha também deu um aviso ao Paquistão.

“Estamos avaliando as implicações disso para nossos programas de ajuda e desenvolvimento no Paquistão”, afirmou um porta-voz do primeiro-ministro britânico, Gordon Brown.

À medida que aumentava a pressão internacional sobre Musharraf, um movimento de advogados foi às ruas de várias cidades do Paquistão. A polícia investiu contra os manifestantes, dispersando-os.

“Não temos medo dessas prisões. Continuaremos lutando”, disse o advogado Abdul Hafeez, de Karachi, um dos vários detidos na segunda-feira.

Para muitos paquistaneses, Musharraf, com a imposição do estado de emergência, pretende esvaziar antecipadamente o julgamento da Suprema Corte do país sobre se ele poderia ter sido reeleito no mês passado pelo Parlamento, como ocorreu.

Na segunda-feira, vários juízes eram mantidos isolados dentro de suas casas por recusarem-se a apoiar o estado de emergência.

As forças de Musharraf também prenderam vários ativistas políticos.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below