Lula quer mostrar a céticos que etanol não compete com alimento

domingo, 1 de junho de 2008 17:50 BRT
 

Por Phil Stewart

ROMA (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, no domingo, que vai procurar persuadir os líderes mundiais que vão se reunir em Roma, esta semana, de que o etanol não é o culpado pela inflação mundial dos alimentos.

O Brasil é o maior exportador mundial de etanol e pioneiro na produção de biocombustíveis à base de cana de açúcar, o que o torna alvo de críticos que alegam que o etanol é responsável pelos aumentos nos preços mundiais das commodities.

Lula disse que a cúpula da ONU sobre segurança alimentar, que começa na terça-feira, dará à maior economia da América Latina uma oportunidade de moldar o debate sobre biocombustíveis, e que espera conquistar a adesão de alguns céticos.

"Esse encontro que a FAO (a Organização das Nações Unidas para os Alimentos e a Agricultura) está promovendo será uma grande oportunidade para o Brasil", disse Lula a jornalistas em Roma antes do início do evento.

"Estou convencido de que estamos no início de um debate. Cabe ao Brasil, centro de excelência na produção de etanol, provar que é plenamente possível compatibilizar a produção de etanol com a produção de alimentos."

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, que montou sua própria força-tarefa para encontrar respostas para a crise da segurança alimentar, deve reunir-se reservadamente com Lula em Roma na segunda-feira, antes da cúpula que terá lugar entre 3 e 5 de junho.

Tomarão parte na cúpula os líderes da França, Espanha, Japão, Argentina e alguns países africanos. Também está prevista a presença do iraniano Mahmoud Ahmadinejad, em sua primeira viagem à Europa ocidental como presidente.

A maior parte da rejeição aos biocombustíveis se refere à produção norte-americana de etanol à base de milho, que vem desviando grandes quantidades desse alimento básico para a produção de combustível.   Continuação...