June 2, 2008 / 1:24 PM / 9 years ago

China se diz "confiante" contra epidemias após tremor

4 Min, DE LEITURA

Por Lindsay Beck

YONGAN, China (Reuters) - A China garantiu na segunda-feira que não haverá epidemias na área afetada pelo terremoto de maio, enquanto alguns sobreviventes se queixam de que suas terras estão sendo devastadas para dar lugar a moradias provisórias.

Onde foi impossível cremar os corpos esmagados sob escombros, a opção foi sepultá-los profundamente, longe de mananciais, segundo Mao Qunan, porta-voz do Ministério da Saúde.

Acampamentos foram desinfetados, e as pessoas foram alertadas sobre os riscos.

"Teoricamente, quando há grande movimentação de pessoas, aumenta o risco de transmissão de doenças", disse ele no site do governo (www.gov.cn).

"Temos a capacidade e a confiança de garantir que não haverá epidemia após o desastre", disse o porta-voz.

A China mobilizou as Forças Armadas para desobstruir estradas, limpar destroços e entregar alimentos, água e tendas aos desabrigados. Operários lutam para drenar lagos formados pelo sismo e para construir casas antes que comecem as chuvas de verão.

Até o começo da tarde de segunda-feira (hora local), estavam confirmados 69.019 mortes, além de haver 18.267 desaparecidos e 373.573 feridos.

Um enorme acampamento se formou em Anxian, junto a uma rodovia que passa por plantações de milho e melancia.

Ali e em outros lugares, casas pré-fabricadas estão sendo montadas para fornecer um abrigo de longo prazo, sem o calor das tendas.

Os ocupantes, em geral camponeses de Chaping, perto do epicentro do terremoto, não têm com que se ocupar. Zhang Zhaohua, 24 anos, estava sentada em sua barraca segurando seu filho de 22 meses. Segundo ela, só os adultos resistem ao calor e à dieta à base exclusiva de macarrão instantâneo.

"Para nós está tudo bem, mas não para os pequenos", lamentou ela.

Na vizinha Yongan, 95 por cento das casas estão inabitáveis, mas muita gente sobreviveu porque o terremoto aconteceu no começo da tarde, quando grande parte da população estava na lavoura.

Agora, alguns desses agricultores dizem que máquinas estão destruindo suas plantações de feijão, repolho e cítricos para dar lugar às casas pré-fabricadas.

"Nossa maior preocupação é o futuro e como vamos viver", disse uma mulher. "O governo está usando nossa terra, então como vamos ganhar alguma coisa?"

Zhang Piwu, funcionário do governo local, disse não saber quando terminará o conserto das casas que não estão condenadas. "O governo não divulgou o plano ainda. É um assunto muito delicado para as pessoas. É o que mais as preocupa", afirmou.

Estima-se que chineses e estrangeiros já tenham fornecido doações equivalentes a 6 bilhões de dólares para as vítimas do terremoto.

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