Cartas para Granma tornam-se nova forma de expressão dos cubanos

sexta-feira, 21 de março de 2008 17:56 BRT
 

HAVANA (Reuters) - Os cubanos dispõem atualmente de um novo canal para manifestar suas opiniões: cartas enviadas ao editor do jornal Granma, do Partido Comunista, que controla o país.

Na sexta-feira, o diário publicou cartas favoráveis e contrárias às reformas analisadas pelo novo presidente de Cuba, Raúl Castro.

Um missivista defendeu a eliminação do sistema de duas moedas, uma grande fonte de reclamações entre os moradores da ilha, que recebem em pesos cubanos, mas precisam comprar muitas mercadorias na moeda forte do país, os pesos conversíveis, que valem 24 vezes mais.

A publicação das cartas representa uma novidade em um país no qual os meios de comunicação são controlados por um Estado de partido único que não permite o funcionamento de veículos independentes e que costuma reprimir os dissidentes.

Essa medida oferece uma maneira a mais de estimular o debate público iniciado por Raúl após ter assumido o controle do governo quando Fidel, seu irmão, ficou doente, na metade de 2006. Fidel não aparece em público desde então e, no mês passado, o irmão o substituiu oficialmente no comando do país, depois de quase 50 anos.

Raúl incentivou os cubanos a falarem sobre os problemas que precisam ser sanados na ineficiente economia que herdou do irmão.

As cartas para o editor do Granma começaram a ser publicadas na sexta-feira passada em uma edição especial do diário, com 16 páginas ao invés das usuais oito.

"A idéia é mostrar à opinião pública o que o povo está pensando. É o povo que escreverá as cartas", disse um jornalista do Granma, que não quis ter sua identidade revelada.