2 de Abril de 2008 / às 13:09 / 9 anos atrás

França espera que médico possa atender Betancourt rapidamente

PARIS, 2 de abril (Reuters) - A França espera enviar em breve uma missão, inclusive com um médico, para visitar a refém Ingrid Betancourt na selva colombiana, disse o chanceler Bernard Kouchner na quarta-feira.

A operação é cercada de sigilo. Não se sabe, por exemplo, se a guerrilha Farc permitiu o acesso à sua refém ou se a missão francesa já está na região. Há notícias de que Betancourt está muito doente e em greve de fome.

"Estamos esperando muito (desta missão)", disse Kouchner após reunião ministerial. "Fizemos tudo que poderíamos humanamente ter feito. Agora temos de esperar até que nossos enviados especiais, o médico, cheguem à área."

Betancourt, cidadã franco-colombiana, era candidata a presidente da Colômbia quando foi sequestrada pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), em 2002.

A imprensa francesa diz que um representante da Cruz Vermelha Internacional deve participar da missão, e há especulações de que o grupo poderia mesmo trazer Betancourt para a liberdade. O governo francês não quis entrar em detalhes.

Na terça-feira, o presidente Nicolas Sarkozy fez um pronunciamento pela TV, dirigindo-se às Farc e pedindo a libertação da refém.

"Ingrid está em perigo iminente de morte. Ela não tem mais forças para resistir a um cativeiro interminável, que está se transformando numa tragédia", disse Sarkozy.

Dirigindo-se expressamente ao líder rebelde Manuel Marulanda, o presidente afirmou: "O sr., que dirige as Farc, o sr. tem um encontro com a história. Não o perca. Liberte Ingrid Betancourt e os reféns mais fracos."

A mensagem foi repetida na quarta-feira em Paris, numa entrevista coletiva, por Lorenzo Delloye Betancourt, filho da ex-candidata.

"Ou vocês libertam minha mãe e os outros reféns, ou vocês vão enterrá-la nas próximas horas", disse ele. "Este será meu último apelo. Chegamos ao fim."

Segundo um grupo de apoio aos reféns, Betancourt estaria em greve de fome desde 23 de fevereiro. O filho afirmou ainda que ela sofre de hepatite B e leishmaniose, o que exigiria uma imediata transfusão de sangue.

O presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, disse na terça-feira que o Exército vai suspender todas as operações quando a missão francesa informar as coordenadas da área em que espera tratar os reféns.

"Todos os presidentes latino-americanos estão fazendo sua parte", disse Kouchner.

As Farc pretendem trocar 40 reféns "estratégicos" --políticos, militares, policiais e três norte-americanos-- por centenas de guerrilheiros presos. Mas o governo e a guerrilha não se entendem nem sobre a forma de negociação. Uribe se recusa a desmilitarizar uma área para o diálogo no sul do país, alegando que as Farc tirariam proveito militar disso.

Reportagem de Sophie Louet

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