Quênia prevê novos confrontos após morte de 612 pessoas

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008 10:49 BRST
 

Por Andrew Cawthorne e Katie Nguyen

NAIRÓBI (Reuters) - Os grupos em disputa no Quênia prevêem na segunda-feira novos confrontos no Parlamento e nas ruas, apesar de uma nova iniciativa internacional para mediar a crise pós-eleitoral que já matou pelo menos 612 pessoas no país.

Mas a prioridade de muitos no país é o reinício do ano letivo, adiado em uma semana devido às turbulências iniciadas no mês passado, depois da reeleição do presidente Mwai Kibaki, contestada pela oposição.

"A vida tem de continuar", disse Esther Muhito, preparando seus filhos para as aulas em Molo, região no vale do Rift onde muita gente morreu por causa dos conflitos étnico-partidários. Em alguns campos de refugiados, voluntários improvisam salas de aula.

Muitos alunos, porém, continuam vagando pela região, temendo os resultados dos protestos nacionais de quarta a sexta-feira, convocados pela oposição. A polícia proibiu as manifestações.

A crise abala as credenciais democráticas e o avanço econômico do país. Afeta também o abastecimento de países sem acesso ao mar no centro e leste da África, e preocupa os doadores ocidentais.

Rachel Arungah, presidente do Comitê de Serviços Humanitários do governo, disse à Reuters que o número oficial de mortos nos confrontos é de 612 na segunda-feira. A imprensa local diz que na verdade houve 693 vítimas fatais.

A maior parte das mortes ocorreu em confrontos entre comunidades étnicas rivais, ou entre policiais e manifestantes. Houve casos também de saques e linchamentos.

O ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan deve chegar na terça ou quarta-feira ao Quênia como chefe de uma delegação de "africanos iminentes" que pretende mediar um diálogo entre Kibaki e o candidato derrotado à Presidência Raila Odinga. Ambos não se encontraram depois da votação de 27 de dezembro.   Continuação...