ONU prevê supersafra global, mas diz que comida seguirá cara

quinta-feira, 22 de maio de 2008 11:31 BRT
 

Por Robin Pomeroy

ROMA (Reuters) - O mundo terá uma supersafra de alimentos neste ano, mas isso não deve bastar para impedir que nos países mais pobres o custo da alimentação quadruplique em relação ao começo da década, disse a ONU na quinta-feira.

O aumento da área plantada e o clima propício devem fazer com que a colheita de trigo seja 8,7 por cento superior à do ano passado, e por isso o preço do produto já caiu cerca de 50 por cento desde fevereiro, segundo a FAO (agência da ONU para alimentação e agricultura).

"Esta melhora na oferta deveria em princípio ajudar, mas não esperamos ver os preços caindo para onde estavam antes", disse o diretor-geral-assistente Hafez Ghanem em entrevista coletiva para apresentar um relatório semestral sobre as perspectiva agrícolas globais.

Desde o ano passado, os alimentos vêem subindo de preço devido a uma conjunção de vários fatores -- uso de terras para a produção de biocombustíveis, transtornos climáticos, aumento da demanda em países como Índia e China, especulações no mercado e o aumento do preço do petróleo.

As populações pobres são as mais afetadas por esse problema, e em vários países houve protestos contra o preço dos alimentos.

O relatório prevê que a oferta de arroz continuará limitada, e os países pobres que dependem da importação de alimentos podem ver seus gastos subirem até 40 por cento neste ano, depois de um aumento semelhante em 2007.

Ao todo, a produção global de cereais deve crescer 3,8 por cento, puxada pela supersafra do trigo, segundo a FAO.

Os EUA terão sua maior safra do produto desde 1998, com um crescimento de 16 por cento sobre o ano passado. A União Européia, que suspendeu uma regra sobre a rotação de cultivos e o descanso regular das terras, terá uma safra de trigo 13 por cento maior.   Continuação...