Lei de energia dos EUA estimula alternativa a etanol de milho

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007 21:43 BRST
 

Por Timothy Gardner

NOVA YORK, 19 de dezembro (Reuters) - A lei energética sancionada na quarta-feira pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, deve estimular um bilionário setor doméstico de produção de etanol a partir de outras fontes que não o milho --embora o trajeto dos laboratórios aos postos de combustível possa demorar mais de uma década.

A lei prevê que até 2022 haja uma adição anual de 136 bilhões de litros de combustíveis alternativos, como o etanol, à gasolina e ao diesel, o que significa um aumento de cinco vezes em relação à quantidade atual.

"Pode-se considerar que esse padrão força a uma tecnologia, pois não há perspectiva de produzir tanto biocombustível a partir do milho nos Estados Unidos", disse Marc Levinson, analista da JP Morgan, de Nova York, em nota a seus clientes.

De fato, a lei determina a produção de etanol de celulose, ou seja, a partir das partes lenhosas do pé de milho, ao invés dos grãos --fonte tradicional do álcool combustível norte-americano. Também é possível fazer esse biocombustível a partir de fontes não alimentícias, como capim ou aparas de madeira.

A lei exige que o etanol dos EUA seja pelo menos 3 por cento à base de celulose até 2012 e pelo menos 44 por cento até 2022.

Atualmente, o setor alcooleiro norte-americano é vítima do seu próprio sucesso. Uma elevação de 40 por cento na capacidade das usinas neste ano levou a queixas de que isso estaria elevando o preço de rações e alimentos, já que os agricultores cada vez mais vêem vantagens no plantio de milho em vez de soja e outras lavouras.

Se as regras para 2022 forem cumpridas, os produtores de etanol de milho poderiam atingir um teto de produção que não ameaçaria os preços dos alimentos, mas que ainda geraria para eles e para os produtores de etanol de celulose um faturamento de 50 a 70 bilhões de dólares, segundo a consultoria McKinsey.

Atualmente, o etanol de celulose é basicamente uma experiência de laboratório, pois pode custar até o dobro do etanol tradicional de milho --que é ainda mais caro que o de cana, predominante no Brasil. Mesmo assim, as empresas estão ávidas por esse mercado.

"Todo o setor estava esperando por um catalisador como esta lei energética, que vai trazer financiamento adicional para construir o setor comercial", disse Carlos Riva, presidente e executivo-chefe da Verenium, recém-criada empresa do ramo de celulose.

A Poet, maior produtora norte-americana de etanol, espera ter uma produção comercial de combustível a partir do núcleo das espigas em 2012 ou 13.