Iara poderá ser unitizado, diz presidente da Petrobras

quinta-feira, 18 de setembro de 2008 19:51 BRT
 

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras trabalha no momento com a possibilidade de o campo de Iara, na bacia de Santos, se estender além do bloco de concessão adquirido pela Petrobras e parceiros em 2000, na segunda rodada de licitações de áreas de petróleo e gás do governo brasileiro, informou o presidente da estatal, José Sergio Gabrielli.

Se isso for comprovado, a Petrobras e os parceiros sócios de Iara -- BG Group (25 por cento) e Galp Energia (10 por cento)-- só poderão iniciar a produção comercial do campo depois de um acordo com o proprietário do campo vizinho, para evitar que utilizem essas reservas durante a exploração de Iara. O acordo, conhecido como unitização, limita o volume de produção de cada bloco.

"Só podemos fazer atividades exploratórias dentro do bloco, dada a informação que temos hoje em Tupi, nós provavelmente estaremos contidos, dentro do bloco em Iara provavelmente estaremos fora do bloco", disse Gabrielli a jornalistas no encerramento da Rio, Oil & Gas.

Ele ressaltou no entanto que só quando obtiver mais resultados será possível afirmar se a unitização em Iara irá ou não ocorrer. Já o campo de Tupi, o primeiro a entrar em produção comercial em dezembro de 2010 com um plano piloto de 100 mil barris diários de petróleo e 3,5 milhões de metros cúbicos de gás natural, indica que a produção deve ocorrer dentro da concessão e portanto não será unitizado.

O campo de Iara possui estimativa de volume recuperável entre 3 e 4 bilhões de barris de óleo equivalente (boe), e o de Tupi entre 5 e 8 bilhões. Os dois juntos quase dobrariam as reservas da Petrobras, atualmente de 14 bilhões de boe.

Gabrielli não quis estimar o volume de recursos necessário para desenvolver os dois campos, mas afirmou que os atuais preços do petróleo sustentam perfeitamente os investimentos que a empresas e parceiros terão que fazer.

"O único projeto que temos conhecimento maior é o piloto de Tupi, e nós achamos que ele é perfeitamente viável com os preços atuais... Pode cair até um terço deste valor", afirmou o executivo.

Nesta quarta-feira, o petróleo encerrou em torno dos 97 dólares o barril, indicando que Tupi seria viável mesmo que o petróleo caísse para perto dos 70 dólares, patamar que é projetado pela Empresa de Pesquisa Energética para 2015.