Na Agrishow, setor rural reage a propaganda negativa do etanol

terça-feira, 29 de abril de 2008 19:12 BRT
 

Por Roberto Samora

RIBEIRÃO PRETO (Reuters) - A oposição entre alimentos e biocombustíveis não existe no Brasil, e o país ainda irá mostrar ao mundo que não faz "loucura" no setor de bioenergia, disseram autoridades do Ministério da Agricultura e outros especialistas.

"Há um discurso de combate ao programa de energia renovável e a crise de alimentos. Quero dizer que não há crise de alimentos no Brasil. O que há é uma crise mundial com a demanda em crescimento", disse o presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Wagner Rossi, a jornalistas.

Segundo ele, a demanda por alimentos está crescendo em países em desenvolvimento como a China e Índia, mas também em nações desenvolvidas, que estão ampliando o consumo.

Rossi afirmou que a notícia de que um supermercado nos Estados Unidos limitou as compras de arroz não encontra semelhança na realidade brasileira, uma vez que o governo conta com estoques de mais de 1 milhão de toneladas e está colhendo uma boa safra.

"Só não vamos exportar os estoques públicos", disse ele, lembrando que a medida tem o objetivo de evitar preços "escorchantes" ao consumidor nacional.

Para isso, a Conab também já anunciou leilões dos estoques públicos para o mercado interno e pode até ampliar o programa em caso de necessidade, segundo Rossi.

De acordo com o diretor de Produção e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Manoel Bertone, "debater se o programa de agroenergia é compatível ou não com a produção de alimentos no Brasil, em um momento em que pela primeira vez em muitos anos os preços de alimentos se recuperam, é um contrasenso."

"Tem muito palavrório sobre fatos concretos completamente opostos ao que se discute", acrescentou Bertone, lembrando que o programa de agroenergia é estratégico e "pode levar um novo modelo de desenvolvimento para países que não têm alternativas."   Continuação...